domingo, 8 de novembro de 2015

Almas em multidão

Ser a parte, segregado
Muitos cegos
Tudo morto
Todos nós
É tudo muito pouco

Ser devoto, em vida
Quanto espanto
Tantos desenganos
Almas espalhadas
E todos tão loucos


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ser livre

Troco a beleza que seduz em massa,
o frescor dos contos de fada,
meus limites impostos por mim.

Quero meu tempo em minutos,
abro mão dos projetos futuros,
das taxas, impostos e tudo mais.

Planto com o tempo a meu favor,
espalhando meu futuro em sementes
que colho ao nascer de cada flor.

Encontro o silêncio que abraça
no sentido que se revela
e na química que brota em dois

Eu acredito no poder da minha dor

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Pra organizar ...

Não estou tentando
Pra fazer dar certo
Se nem ao certo sei
Que certo seria esse

Luto pelo direito de fazer
O que é correto ser feito
Mesmo que não seja o correto
Esse tal de certo impudente

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Correntes

Se me sentasse diante de você
Se possível fosse
Ao tempo que nos afastou
Meu perdão eu daria

Se ao amar você, tivesse eu
Me tornado cada vez mais eu
Talvez agora
Estivéssemos aqui. Seríamos dois

A vida é maior do que foi
Nosso encontro, chegou cedo
Ou nunca terá seu tempo
Pode ter sido o que foi

Na corrente dessa vida
São muitos galhos em toda margem
Podemos ficar para nos salvar
Ou ir ao encontro do que estar por vir

O tempo

Por querer ser diferente
Daquilo que somos
Somamos
É a soma dos desenganos
Um tipo de dizimo social

Ai
Na frente do espelho
Na hora da verdade
Não há ninguém
Não há imagem

E o que vemos diante da ausência
Da nossa própria imagem
É o tempo parado
Que pisca, se desculpa, vira o olho
E vai embora

sábado, 10 de outubro de 2015

Escolhas, caminhos

Erros que:
Não preciso mais!
Não esqueço mais. Os meus.
Portanto, posso conviver com os seus.

Não quero mais!
Porque esquecer que te amei?
Posso ressurgir desse além,
esse que me vi depois que você se foi

O tempo que tira,
é o mesmo do resgate,
o da hora do embate.
A diferença entre querer e o que vai ser.

Sou eu, aquele que posso.
Sou teu, tanto quanto você possa.
Aí realizo.
Somos o que podemos ser.

E vamos. Só há uma direção.
Compulsoriamente, andamos.
E a reflexão?
Ai vai do que queremos.
E será, fatalmente, o que seremos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Lua que me fala

Sou que nem maré
As vezes cheia, muitas vazia
Correntes que variam
Ondas quentes que depois esfriam
Tudo assim de repente
E vem a lua e diz
Se vai ser hoje ou só num outro dia

Mas entenda, o olhar que me olha
Por ser aflito não demora
Olhares aflitos não demoram
Partem felinos, menores
Fogem dos seus tremores, os de outrora

E na maré da vida
Nas correntes em que me jogo
Amo e também esqueço
Me torno seu pra poder ser meu
E sigo com meu terço
Desaguando pra poder encher
E ser visto com espera
Para ter tempo de aprender a viver

sábado, 5 de setembro de 2015

Outro dia | Entendi que

Ao ser perguntado
O que faz nessa vida?
Surpreso. Incorporado
Penso! respondi
Escuto como exercício
Antes de ser quem me tornei
Penso, desconfiando de muito
Aprendi que
Desejo o inverso do meu impulso
Quero o pulo, o salto no escuro
Ao clero muita luz ofusca
Não me confundo
Tornei meu pensar vocação
Evocando tudo que tenho
Por direito ou vocação
Minha evolução evoluiu, ser tornou
Meu maior desejo sexual, passou
Tornei-me apto, venho aprendendo amar
Definitivamente. Estou em festa

domingo, 30 de agosto de 2015

Limites?

Ando querendo variar de dor
Quem sabe até amar de novo

Uma estrada de terra nova
Conversas jogadas fora

Tudo puro e em pleno vazio
Novos odores entre tantos sabores

Sem muito pra dar
Ofereço meu mundo, todo

Que não é muito assim, mas
Mesmo não sendo, ele não tem fim


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Primavera minha

estou partindo
tudo está assim
clima de festa
em tarde de despedida

a onda do andar chegou
em séries gigantescas
como resistir?
o que me resta é partir também

partir daqui pra depois do além
dar meus passos. Seguir
seja com alguém
ou mesmo por ninguém

quando esse tempo chega
em vento de luz e sabedoria
no silêncio do escuro
fica claro: ele é real

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Meus Ciclos

Nessa manhã, assim que acordei
já sabia que não era o mesmo
E naquele instante, logo ali
comecei a me despedir
desse eu que amanhã
já será diferente

Engenheiro era o nome da rua (onde morei)

Foi um tempo curto
numa longa viagem. Bem fundo
Onde via o tempo evaporar
como ondas
Subia. Subia. O tempo que via

E bem lá em cima, parado
olhava pra mim e sorria
O Tempo. Depois apagava e ia
Abrindo tempo pra mais tempo
que vinha e subia. E subia
E eu ali vendo o tempo passar

Eu nunca soube o que eles diziam
se era o tempo sorrindo de dor
do tempo, por mim
ou de alegria. O que ele sentia
naqueles instantes que se despedia

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Fluente

Diz-se dos corpos
que com alma própria, em dois
vão-se aos loucos deformar

e transformam-se

domingo, 16 de agosto de 2015

Antecipar o tempo

Não é a espera que me ameaça
Coagindo-me a temer ser
Além de mim

É o depois que vem além
Do futuro quando chega
Do meu encontro. O real e o que desejei

Da hora que prestarei contas
De me olhar por fim
Da sentença final feita por mim

Do resumo de todos os minutos
Das escolhas, as do pulo ou do conforto
E daquelas que sucumbi, também

Sempre se pode escolher
A não ser naquela hora, naquele instante
Em que tudo se torna tarde. Fim

terça-feira, 28 de julho de 2015

Pó

Dor
De alma quando se despede
Da coragem de sentir mais dor,
Dói

Escolhas
Que se impõem
Pela força bruta sobre a impotência
Severa ausência
De se tornar um só
Sendo dois,
Escolhe

Amor
Quando é medo
Se desfaz em poeira,
E vira só

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Existe um eu dentro de mim

Manifestações corporais
De um ser imortal
Que mora dentro
Do meu próprio peito

Abaixo da pele que separa
Aquilo que seria eu
Que me protege e me revela
Pura alma minha, indolente

Um ser quase igual a mim
E tão divergente
Embora saiba o de tantos
Entre tantos saberes diferentes

E por ser ele somente dele
Aparentemente apenas um
Sendo dois para sempre
Estabeleceu-se a loucura perene

sábado, 18 de julho de 2015

Mais

A paz que não me seduz,
que me esconde,
no balanço da rede,
que vai da direita para a esquerda,
depois repete, se limita.

E assim segue,
no balanço que não transforma,
que não vai adiante,
não tem escuro,
aquele do pulo, do salto, do impulso.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Doutor. Ser pobre.

O que chamamos de vida
é muito maior
que essa bobagem tola
espalhadas por ai

Encontro essa certeza
quando olho nos olhos
daqueles que são jovens
Muitas vezes meu filho

Os que possuem o mundo
sobretudo a pureza da verdade
Enfestados de jovens conflitos
Cientes do poder de poder

Tento me manter jovem
ficar conectado a ela
Uma boa conversa, digerida
vira alimento

Respirar esse ar, turbulento
me manter inquieto
Sugar o eu jovem
e transpor o medo da morte

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dor de Pássaro

Há o que me falte
Muito sobra em mim
Metade encontro fé
Sentado deixo de existir

Sou de quem me quer
E se quiser o que virá
Entrego o que sou
E fico se quiser ficar

Só meus danos são meus
Daquilo que colhi
No tempo que levei
Para chegar até aqui

De alguns anos abro mão
Outros vou levar
Pássaros quando voam
Não costumam retornar

Andei eliminando sentimentos
Restaram somente os mais raros
Como algumas saudades
que são pontes, se quiser me encontrar

quinta-feira, 11 de junho de 2015

No mar sem estrelas

Eu tentei salvar nós dois
mas agora sei
ninguém há de salvar alguém

Eu busquei ser seu
mas aprendi que o medo
nasce dos desejos apodrecidos

Eu fui amado por você
mesmo sabendo que você esqueceu
o que te fez me amar assim

Eu tentei evitar deixar você
nesse silêncio corrosivo
que inevitavelmente vem após o fim

Os planos eram outros e você sabe
mas nem toda noite tem estrelas
e nem todo barco atravessa mar

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Safári

Eu to morrendo
e meus olhos
insistem em enxergar

Eu to vivendo
entre almas mortas
que me fazem gritar

Choro compulsivamente
pela Lagoa, mortos dentro e fora
em cada esquina

Todos estamos em morte
é ódio para todos os lados
o amor sendo dilacerado

São facas que não cortam mais
não cumprem seus destinos
só matam nessa selva africana

Quero sair vivo desse mundo
e não viver morto nessa cegueira sufocante
tenho filho e quem sabe, terei netos

Guarda Roupas

A felicidade
é como um vácuo
no meio da cidade

Onde não há som
nem movimento
nenhuma canção

É a vida
em estado bruto, ali
Diante dos nossos olhos

E o que sentimos
é a verdade dos nossos atos
aquilo que nos tornou

Queria você nesse brinde
Sair vivo dessa vida, juntos
transcender

Mas nesse instante
que tudo se revela
se conecta e faz sentido

Agora sei, essa dor é minha
e o tempo parou
para eu trocar de roupa

sábado, 28 de fevereiro de 2015

VIDa(mode)ON

Quero que saibas
Que és importante para mim
Eu sei, andamos distantes
Extraviados por nós mesmos
Ao som, ao léu
Dos nossos sonhos

Mas devemos compreender
Que és importante para mim
E assim sendo
Não há de ser diferente
O que também, nobre
Sentes por mim

Não quero nada assim
Nem tão pouco
Você para mim
Mas devemos compreender
Que não podemos continuar
Esquecidos assim

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Me fala ..

O que sobra no fim?

Quando a peça termina
As cortinas são fechadas
E os sonhos vão dormir

O que rola além do fim?

Quando a vida que seguimos
Vira sonho de menino
Em noites frias de verão

O que vem após o fim?

Dos instantes em que gozamos
Dos gritos que nos livramos
Das dores sem limites ou fim

O que sobrou pra mim?

Com a justa cor dos Peregrinos
Sem pernas ou rosto feminino
Encontro o que a muito acreditei

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Afogados

É bastante difícil
Flerta com o limite
O quase que nos engole, tudo
Um amor, um sonho
Aquilo que não fui
O que não nasceu
Quando falta tempo

Tudo virando saudade
Num bate e rebate
Dessa maquina
Que tudo lava, sacode
Da dor que alimenta
Que nos faz surgir
Afogando-nos em vida

Pura pele, lira
Que surge, sacode e precipita
Num levar de aguas
Transbordadas de fronteiras
E que ainda, nos ilumina
Pura flor de letargia
Que sufoca, liberta
Afogando tudo que não nos é
Que nunca foi e nem será

domingo, 18 de janeiro de 2015

Do meu jeito

De tudo um pouco, melancolia
Quero a cura que suporta e alivia
No meu mundo, sou
Sua dor? não é minha alegria

Quando sei quem sou
Meu mundo vira magia
E o que desejo?
Tudo em mim é fantasia

Nem eu mesmo sei se sou
Chegada ou partida
Luz, alicerce
Buraco ou cimento em cima?

Por que nasci
A razão, certa, que escolhi caminhos
Pelos quais motivos cresci
E por que, enfim, resisti até aqui?

Os amores surgem
Com cheiro de passado
Gosto de felicidade, lento baiano
Cheiro de terra ou gosto de serra?

Mas a realidade contraria tudo
E aquele olhar que faz barulho?
O passado é meu aliado
Como o futuro, que sou eu quem faço

Espero que a vida entenda
Que o recente foi solidão
Que meu mundo encolhido, foi o que restou
E que agora, ressurjo da minha própria ilusão

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Onde ir

Entre maços e abraços
Entre dores e excessos
Um pouco de tudo, as vezes só

Entre dias escuros
E vem uma noite tão bela
Entre o que já sei
E tudo aquilo que ainda não sei
Eu vejo um mundo

Um mundo que afunda
E você sem saber disso
Meu corpo envelhece a cada dia
E você não está aqui, cuidando disso
Sua pele não me tem
E não diferente, envelhece também

Longe e sem cuidados, meus
Sem eu saber, privado de ver
Arqueólogo de mim mesmo
Perfurando peles
Muitos "eus" que nem sei se existem

Cadê você. Cadê você
Quem sabe o que
Quem pode dizer o que vai ser

Tudo gira, tudo muda
Num piscar de olhos
O amor deixa de existir

E o mundo gira
Noite vira dia e dia vira
Dor e alegria

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Conservação e Restauro

Meu último amor tentou me matar
Roubou de mim, pensamentos meus
Pior: Levou lembranças, saudades
Não os tenho mais
Levou aquilo que não se fez real

Ainda há barulho ao meu redor
E tudo por tão pouco
Inexistências de um mundo
De um amor não correspondido
Como possível fosse
Sendo verdadeiro esse amor

Quando passou por aqui
Alterando minha razão
Ao vê-la pelas costas, percebi
O quanto devastador foi
Secaram-se florestas

Arvores foram arrancadas
Roubadas de mim
Como se não houvesse além da razão
A minha mais profunda imagem
Daquele eu que a ela
Um dia, pareceu assustador

Diante da tormenta que a mim foi imposta
Sem aviso prévio ou carta de despedida
Naufrago de mim, sucumbi em terra
Seca de deserto, árida por solidão
Ao retorno expresso a vida que me foi tomada
Parti trôpego em busca de alguma flor

E segui
Segui na esperança que pudesse em mim
Conservar a vida que tardiamente
Percebi ter sido ilusória
Restando hoje, a minha real imagem
Que acolho, abraço e restauro

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Alforria

Sonhei com esse lugar
Previ nós dois aqui
Desejei tanto
Que aqui estou
Sei que gostaria
Sei que não pôde
Sei e não sei tanta coisa
E quando sei. Tudo muda

Mas isso não muda
A vida segue e seguindo
Decidi levar você comigo
Me despir das dores
Cuidar bem daquilo
Daquilo que fizemos de melhor
Pelo tempo que fizemos melhor
Vou salvar nos dois
Vou nos perdoar

domingo, 16 de novembro de 2014

Matemática

Sonhos
e mais sonhos
somados dão mais

Poesias
são cores que colorem as dores
dos meus dias teatrais

Tudo em tão pouco
que de pouco em pouco
muito escorre

Cobrindo aquilo que ficou
e que me tornou
esse alguém que estou agora

Gi de Jeri .. ..

Eu to brotando por todas as bordas
a toda hora dou de cara com um alguém
que nem sei que sou
algo além daqui, de mim
que sempre quis
mesmo quando menos sabia
muitas curvas. Escorregadias
as vezes vinham os freios,
muitas: muro
silêncios intermináveis.
Quase sangrava
meus choros? Incontestáveis
e depois de muito,
surjo aqui
do outro lado do muro, do morro,
de muito.
To vivo, e to atento.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Romance inacabado

E de tudo o que pensei
Do pouco que disse
Diante dela nada se ouviu
Embora prometido contar tudo
Mesmo o não sabido
Entre arredores amplos e prólogos
Fez-se breve ela

(Impregnado por Macedonio Fernández)

sábado, 5 de julho de 2014

Jogo de Búzios

Trago a pessoa amada todo dia
Todo dia trago a pessoa amada, trago
Trago pois a solto
Trago pois a amo
Trago, e após a tragada
Quero vê-la esfumaçar-se
E que se nuvem.
E se chover?
E que se chova, que se mova
E que me ame.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Bordas minhas, bodas (em 365 dias)

Por meses pensei intensamente
Ao ponto além
De exaurir todas as sementes
Que em mim haviam de habitar

Esperei por mim, somente assim
Num desvendar bailar de panos
Para nunca mais e sem prantos
Ao seu entorno veria ela, o meu dançar

E bailei, bailei sozinho
Bailei aos poucos, devagarinho
Num salvar-me eu
Pelas bordas minhas

E ao escorrer desse destino
No retorno ao solo, meu abrigo
Encontrei meu pulso intenso germinar
Que não me sujeita e nem me define

terça-feira, 25 de março de 2014

Perigosamente causado

Sou minha própria sentença
Em parte cura, na outra loucura
Retorcido pelos meus dias
Em nem sempre certas
Escolhas minhas

Por vezes caminhos
Dão voltas por demais
Contornam medos
Proliferam segredos
Nos afastam de nós

São momentos que se repetem
Em ciclos determinados
Pela ausência da coragem,
Da clareza dos que desejam
Ou do poder infinito de uma mulher

quarta-feira, 19 de março de 2014

Meu canto florido


A vida que se faz
que acontece e que reluz
nunca imposta pelo tempo
camuflada entre virgulas e olhares
entre as folhas verdes
de palmeiras repousadas
bem no chão, lá no fundo
bem atrás, bem pra mais
dos limites do meu jardim
é lá que encontro o que não vejo
onde viro torrente e me acalmo
e me sujo por dentro
e ressurjo pelo centro de mim mesmo.










 

sábado, 1 de março de 2014

O que não nasce da morte?

A saudade veio me visitar
Bateu na minha porta
Invadiu minha casa nova
Ainda insiste em me assombrar

Traz velhos e distantes momentos
A vida que já não é mais minha
Um amor que deixou só pó
Em chão de boiadeiro

Dos céus que foram nossos
Dos sorrisos bem próximos
Das rezas do Senhor do Bonfim
Dos lamentos e encantos sem fim

Desde que percebi desejar salvar
Somente aquilo que só a mim pertencia
Transformando todo o resto em fruto
Tento o encontro equilibrado e possível

Mas já não largo a mão da morte
Quero ir com ela. Estou e(m) parto
Acabei farto
Já não me encontro mais aqui

Tentei unir dois mundos
Em vias tão desiguais
Derrubar seus muros
Com coragem, invadir seus escuros

Doce engano
Éramos como a morte
Tínhamos passado, teríamos futuro
Não fomos capazes de ser presente

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Nelas

Só vejo as curvas
Não suponho que há retas
Não percebo as setas
De onde moro, onde broto
Só curvas vejo
E quando vejo o menor curso
Logo viro
E insisto nas curvas
Somente elas
Que me levam
Não sei ao certo
Para onde
Para quando
Se para alguém
Mas só vejo elas
E sigo
Insistindo nelas

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Me transforma em segredo nosso

Chega no escura da madrugada,
no silêncio dos que já se foram
e dos que ainda não chegaram,
e se arruma na minha confusão.

Vem querendo ser feliz,
pra comemorar por dois,
porque depois de tanto esforço,
a vida, voltou a sorrir pra mim.

E nessa hora, nesse instante,
depois de muitas poucas cores,
abre-se um rio de flores, diante de mim.
Por isso vem, se veste de rosa e vem assim.

Ps. Que a vida traga muitas “rosas” ou somente uma.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Amo Amar

O amor,
desconstrói segredos.

Liberta muros,
alarga fronteiras.

Uni quem somos
ao que seremos.

Desperta sentidos e é bom,
quando escorre pelos dedos.

Ele só prende, quando liberta.
Se acende, nas melhores descobertas.

E transforma tudo, assim do nada,
nos fazendo sorrir, no meio da madrugada.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Se não

A decisão mais dura
é aquela tomada
na direção inversa
do amor que te apavora.
E que leva embora
a dor que habita,
em noites mal dormidas,
o colchão da tua história.
Nem sempre palavras dizem
aquilo que querem dizer.
A nós cabe as escolhas
com tudo que isso irá trazer.
Quando alguém tem você,
e te tem por todos os lados,
incluindo os avessos,
se não perceber,
melhor que vá
e que seja agora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Teoria das Capacitações

Ela pode estar em qualquer lugar
Com qualquer pessoa
Ou tomada pela mais imensa das solidões
O que importa?
Quando o coração sangra
Escorre por vias distantes
Repleta e tomada a todo instante
Pela mais cruel das capacitações
A nossa, quem dera poder não ser
Imaginação

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mundo Particular

Mergulhar na dor
Pra poder romper com as fronteiras do amor
Dor que me acorrenta
Que nasce do vazio deixado
Pela tua ausência
São saudades espalhadas em pó
Que cobrem os móveis da tua casa
É o tempo passando e se esfregando
Na nossa cara

A carne é o solo onde brota a minha pele
Já minha alma é discreta
É forte e é fraca, como os poetas
Tudo girando junto
Me deixando tonto e me fazendo mundo

O que me difere dos outros?
Muita coisa e muito pouco
São vazios que se abatem
Não nos deixando ter para onde ir
Nem tão pouco, de onde partir
Nessas horas de cansaço
Tiro os meus óculos
E usufruo dos benefícios
De minha vista cansada

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calma, é logo ali

Não foi um ano fácil.
Amanhã,
irá embora.
E não será fácil
dar adeus,
com o passado,
deixo muito de mim
e deixo agora.
O futuro vem ali,
trazendo consigo,
essa onda de vento,
que transforma tudo,
liberta prisões,
por vezes perpétuas,
e nos absolve sorrindo
em braços fortes de pai.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Que venha o tempo

Tempo estranho
Que me torno invisível
Nesse mundo que habito
Nesse estado insolúvel
Em que fui me transformando

Se o tempo traz sentidos
E a espera é necessária
Com a dor que me foi dada, sigo
Já que hoje
Não entendo quase nada

De certo
Só as manhãs que ficaram frias
As noites, vazias
E que nada mais restou
Além do silêncio das minhas certezas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas, perguntas e respostas

Eu te prometi
Diversas vezes prometi
Que chegaria aqui
Que traria nós dois
Você não acreditou
Você não!
E soltou a minha mão
Me deixou
Deixou aqui
Eu aqui, agora
Como prometi
Eu cheguei aqui
E agora, e ai?
Faço o que com isso?
Faço o que com algo que foi nosso
Foi meu para poder ser seu?
Faço o que com a razão?
Você faz o que do seu equívoco?
O que nós poderemos fazer?
Razão, a culpa
O errado, certo
Quem feriu, quem foi algoz
O que poderemos fazer?
A alegria se vestiu de preto
Partiu, e foi embora
O que nos restou além?
Aceitar a dor da cura
Ter fé no tempo
Rezar para que esse tempo
Nos traga colo?
Nosso conforto ruiu
Perdeu-se num tempo
Em que éramos unidos
Éramos amantes
E éramos amigos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nessa Vida

Posso ter o que quiser
Mas me interesso mesmo
Em ser o melhor que puder
Evoluir o máximo que der

Posso ganhar o mundo
Jantar com muitos
Dançar ao luar
Delirar com cada gota de luz solar

Posso mais, posso tudo
Não constranjo o meu mundo
E por isso, ele
É via aberta diante dos meus pés

Mas para que ter um mundo
Se ao contrário do seu surto
Meu desejo cabe repousado
Na pele do teu afago

Eu poderia amar a exaustão
Sonhar além da razão
Mas meus olhos rasos
Insistem em te cercar

domingo, 24 de novembro de 2013

Processo

Toma para si: o meu cuidado.
Apossa-se: da minha vida.
Impõe gratidão: a preços seus.
E ai:
Sucumbe diante de tudo.
Desconstrói o que tínhamos,
temendo ser, o que nunca seriamos.
Nesse mundo estranho de se viver,
onde as metas viram partida,
os resultados, antes do começo,
e um grande amor, como o nosso,
perde-se na poeira das tuas fugas,
resta-me somente:
A dor de não lhe querer mais,
o ranger de um corpo decidido
a não mais se movimentar,
e por último,
a certeza da descoberta futura
de um novo amor.

Mais isso, agora, não me traz alegria.
De certo, um dia, irá me trazer.

domingo, 10 de novembro de 2013

Conta gotas

O que construímos foi menor

que a soma de nós dois.

O encontro advém da soma,

como quando duas cores se juntam,

na criação de um novo tom.

 

Podíamos ter sido a soma de dois,

e não dois divididos, repatriados,

esquecidos todos os dias,

num pingar de risos que transbordam,

e me fazem chorar.

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto mais, transformado sou.

Quanto mais a vida me bate,
mais cheio de curvas fico.
Quanto mais amo alguém,
menos medo sinto.
Quanto mais me entrego,
dono de mim sou.

E o tempo que passa?
É o mesmo que leva.