domingo, 10 de agosto de 2008

NAVEGO SEMPRE

NAVEGO SEMPRE

Mesmo que o mundo me trate mal,
que as pessoas me tragam o mal,
e que os fatos me pareçam injustos,
sigo ao meu encontro.

Mesmo que meu filho parta sem ao menos deixar um beijo,
um gesto carinhoso ou um adeus,
continuo buscando a minha razão,
as minhas aflições e o meu lugar.

Devo isso aos meus pais,
a mim mesmo e por fim
a minha infinita vocação de acreditar
na vida que outrora me foi concebida.

E acumulo ao mesmo tempo, coragem e covardia,
onde encontro motivos para navegar, sempre,
em mares internos.

UM ANJO

Um anjo com uma cara
quase conhecida,
um anjo com quem troquei
poucas palavras,
a quem quase pude ajudar
sem saber, ainda,
que poderia me apaixonar.
Mas um anjo, que talvez,
nunca mais irei encontrar.

Momentos imprevistos,
um olhar que me penetrou,
que me fez sonhar e ainda sonho.
Que me concedeu, através dele,
enxergar o que num instante curto, dialoguei.

Quase firmei um pacto, mais um momento,
isso teria sido possível, teria se tornado real,
e quem sabe, me faria e me levaria
para nunca mais ter ou querer renunciar.

SIGNIFICADOS

Se olho, flerto.
Se choro, seu ombro quero.
Se sonho, é porque quero ir.
Se toco, é na sua pele.
Se falo, é pra te ouvir.
Se reclamo, é pra você sorrir.
Se sou chato, é pra você se divertir.
Se nasci, foi pra te encontrar.
Se não morri, é por que você aqui está.
Se você for, irei também.
Pra onde? Sei lá, também não sei.

Se sonho, é pra você me beijar.
E quando abrir meus olhos, nessa hora,
certamente, não vou querer acordar.

PACTO

É assim que tem que ser,
é assim que gosto que seja,
é dessa forma que construo,
me empenhando diariamente,
com desvios, mas sempre nessa direção.

Que venha as horas, os dias e os anos.
Caminho na tentativa do encontro,
do momento, do ensaio.

Entre o silêncio e o seu oposto,
procuro um lugar onde possa reclinar,
encontro, simplesmente, uma cadeira,
de onde parto, me levantando
pra poder, melhor, enxergar.

E quando em pé me encontro,
tenho a nítida sensação de poder
vencer o tempo e a tudo que não gosto,
o lado que não reconheço em mim,
e também o que mais gosto.

Por isso façamos o seguinte,
vamos nos manter sentados
todas as vezes que não possamos
dar conta, mas assim que for possível,
vamos nos manter em pé, em movimento
para que possamos enxergar melhor.

NEGRA LINDA OU LINDA NEGRA

Morena quase branca,
marrom chocolate,
brasileira meio suíça,
mistério que vai
pra poder voltar.

Lady e ao mesmo tempo chão!!

Anda através da música!!
um acústico, um violão,
uma viola, sei lá
qualquer som que lhe
conceda paixão.

É no que vê que percebe sua vida,
ou dentro da pele, perto da veia,
que encontra sua sina, seu
destino, sua cruz.

Atrevido que sou,
evoco Braguinha, e falo:
Branca é branca, preta é preta,
mas mulata é a tal, é a tal.
Quando ela bole com seus quadris,
eu bato palmas e peço bis.

ME FALA AI

Não sei se é deus que não quer me dar
ou se sou eu que não quero encontrar.
Não sei se meus olhos não querem ver
ou se sou eu que não quero enxergar.
Não sei se minha mente não entende
ou se sou eu que não posso me entregar.

Perguntas que não sei responder,
caminhos que procuro apesar do escuro,
soluções que nunca encontrei aqui,
nem tão pouco encontrarei ali.

Minha mão não pode alcançar,
ao menos que ceda,
que me permita conhecer o intangível,
o imponderável, a falta da luz.

Nasci e perambulo, ou será
que perambulando cheguei até aqui.
Qual será a razão do meu nome,
que ao pronunciado, me viro, olho e atendo.

Porque será que sou visível
quando encontro a luz.
Porque será que, mesmo embaixo
de um holofote, passo despercebido.
Porque será que quando menos quero
é quando mais tenho.

Me fala ai,
porque será?

EM VOCÊ

Entre a fumaça do arguile
e a fumaça que sempre te fez feliz.
Entre o remar pra chegar
e o deixar a maré me levar.

Diante do que sei e o que eu nuca saberei,
penso em você.

Entre os meus dias cheios
e as minhas horas vazias.
Entre a certeza do querer
e a dúvida do não saber.

Diante de mim, fujo,
pensando em você.

Entre a mais sublime hora
e o minuto que perdi você.
Entre o momento que tive você
e o instante que percebo o silencio.

Diante da sua ausência,
continuo pensando em você.

Hoje que é igual ao ontem
e semelhante ao anteontem,
pensei, penso e sempre pensarei
em você.

DESABAFO

Nos seus setenta anos percebi algo,
uma sensibilidade que minha escolha,
se pudesse, jamais faria.
Pude perceber o tempo no seu movimento,
na sua postura, algo que me assustou
e acho que ninguém foi capaz de ver.

Não pude e não posso dar conta,
não sei ao certo o que fazer,
rezar ou crer, diante desse tempo,
que vem cruel para todos nos.

Sei que o tempo foi nosso aliado,
e que agora me parece adverso,
me torna incrédulo, me faz chorar.
Sei, também, que vc estará indo,
me deixando, e como vou ficar?
Ainda não sei, mas temo!!

Vou ter que aprender algo impossível,
que me parece totalmente incompreensível,
viver sem você, logo você que me deu tudo,
que me deu a vida,
o que penso e o que devo ser.

Razão incessante do meu pensar,
da minha razão incondicional
de ser, de ter e de evoluir.
Vida que se faz pelo simples fato
de ter sido, sempre, espelho seu.

Esse tempo vai chegar, o tempo
que você deixará de existir,
me restando uma só questão:
O que fazer da vida sem você,
meu pai, que tanto amei,
que tanto amo e que amarei
pro resto da minha vida.

COMPROMETIDO

Sabe o que eu quero que o mundo saiba,
muito pouco, quando o assunto sou eu,
quando o que importa é como estou,
de onde venho e principalmente pra onde vou.

O importante, ou o mais importante,
é que estou ai, visível pra quem pode me ver,
enxergar os meus detalhes,
o que sou e principalmente o que serei.

Porque estou e sempre estarei na busca,
no encalço do que posso ser,
ter e sentir, sempre na busca da tangente,
na busca incessante do querer bem
do ficar e poder ir, deixando uma pista,
uma falha que possa me entregar,
ser encontrado e finalmente conquistado.

Cada conquista, não importando a direção,
me concede uma incrível sensação
de estar condicionando minha vida
ao meu compromisso, ao meu dever
comigo mesmo.

É sempre nesse rumo, fico e sigo
nessa estrada, que chamamos de vida,
mas que para mim não passa da minha sina,
das minhas escolhas, do meu compromisso
em ser feliz, livre e completamente
comprometido, imerso e delirante.

CERTO OU ERRADO

Se o certo é uma variável
de algo que tomamos como referência
e se as referências nem sempre
são residentes imutáveis,
onde podemos apontar para o futuro
na certeza certa desse encontro permanente.
O que de fato podemos intitular como certo.

A palavra certo me parece prima próxima
da palavra hoje, onde amanhã será ou não,
presente ou parte do passado.

Já o presente é construído por atitudes hoje,
que normalmente foram construídas por atitudes
que ficaram num tempo passado, de onde viemos,
tornando possível estar onde estamos hoje.

Diante disso, me parece prudente
respeitarmos algo maior que rótulos e costumes,
certezas e medos, dilemas e heranças,
algo mais simples e ao mesmo tempo menos palpável,
um sentimento que os covardes teimam em não respeitar.

Nossa intuição, que é prima próxima
dos nossos desejos mais reais,
é certamente o caminho mais curto de dias mais felizes,
independentes de estarem certos ou errados.

CAPAZ DE NOS GUIAR

Os pares, ha muito o universo
conspirava a favor dos pares:
Feijão com arroz,
queijo com goiabada,
Claudinho e Buchecha,
perguntas e respostas.

Porém isso já não me parece mais assim,
foi-se o tempo em que acreditava nas respostas
prefiro, hoje, me dedicar somente às perguntas.
Não existem respostas sem perguntas
mas, existem perguntas sem respostas,
existe Buchecha sem Claudinho.

Nas perguntas, reside a possibilidade
do encontro com tudo que nós paralisa,
algo que resposta nenhuma irá trazer.
É fato, o universo evolui,
nós evoluímos e hoje um par
não necessariamente é formado por dois.

Existe até a possibilidade de um par
ser formado por apenas um.
Aprendemos que a verdadeira felicidade
não está alojada na busca e sim no movimento
autêntico, sincero e focado,
onde o lugar que queremos chegar
é exatamente aquele que ainda não conhecemos
mas que o desejo, esse sim, é capaz de nós levar.

ACREDITAR

Toda marca é fruto de um momento
de uma escolha, de um movimento,
onde buscamos o que podemos,
o que devemos, a nossa história.

Saibamos viver da melhor forma
para que amanhã não tenhamos
o que não podemos dar conta,
e se não dermos, que possamos,
diante de um problema, editá-lo.

Acreditar talvez seja a palavra,
a mais justa, a melhor de todas
onde encontramos não somente
as soluções, mas principalmente
a certeza de que tudo, sempre,
se resolve da melhor forma possível.

E o possível é sem dúvida
o nosso melhor, o nosso terreno,
a nossa cerca, o limite da nossa existência,
e como a nossa existência não tem limites,
nossas possibilidades são infinitas, enquanto vivos.

E depois, e depois continuo acreditando....Acredite!!!

DELICADA FLOR

Mesmo quando dirigimos,
enfrentando a nossa estrada
e adiante seguimos,
um compromisso carregamos,
um momento, um instante cravado,
digitalizado e impresso bem fundo,
onde não temos acesso, controle
ou simplesmente poder.

O convívio nos e imposto,
a vida nós da, sadicamente,
essa missão, essa devoção.
Acho que o que ela espera
é que venhamos reverenciá-la,
respeitá-la e por fim amá-la.
Como na montanha,
que bela e maternal,
a qualquer momento ou descuido,
podemos perdê-la.

As mulheres são o retrato
mas fidedigno da vida,
lindas, mas que entre o frio
e o calor, só nos resta
uma fina flor.

TEMENDO

Acredito que as diferenças
muitas vezes aproximam,
adquirem a função
de aproximar almas distantes.
Para os que não podem enxergar
diante da visão, da escuridão,
dos medos e dos receios,
determinam caminhos
poucos palatáveis,
determinam caminhos
pouco reais,
determinam futuros que no presente
nos parecem suicídios,
que apontam, num olhar prematuro,
caminhos que não podemos ou tememos trilhar.

SIMPLES ASSIM

É verdade eu gostava de você,
eu gostava muito de você.
Mas foi antes, antes de te ter,
de te ver e poder te reconhecer.

Distante dos meus sonhos,
diante dos meus olhares
que puderam ver os seus
gestos, atitudes e sombras.

Aos meu buracos,
necessidades vitais momentâneas,
que perto das suas possibilidades,
o que deveria rolar não rolou,
simplesmente não rolou.

SE EU PUDESSE

Se eu pudesse escolher
não seria eu, não seria seu.

Se você soubesse e deveria saber,
eu, apesar de não querer ser eu,
querer você e algo que vem depois
do meu eu e do que sou.

Se eu pudesse e acho que posso,
te deixaria no meio do caminho,
te tiraria de dentro do meu coração,
da minha razão e com as minhas mãos
de daria adeus, roubava o teu chão
e de longe recomeçaria.

Mais se não for possível,
irei mesmo assim,
mesmo que, com isso, fique algo,
um pedaço, um silêncio,
um início sem fim.

Se eu pudesse não teria vindo,
não teria estado e muito menos partido.

sábado, 9 de agosto de 2008

ESCALADA

O medo, dizem, nasce da altura,
do alto mar, das enfermidades,
do imponderável, do descontrole.
Justamente o que vem depois do agora,
do e agora, que sempre vem desprovido
de uma resposta, da certeza de um porto.

Pra mim, ele vem do sorriso, do querer,
da necessidade do aceite, da permissão,
e acima e antes de tudo, de nós mesmos.
Se não sabemos quem somos, como vamos
saber algo que se parte e não faz parte
do nosso corpo, uma outra vida, um outro individuo.

Há uma enorme distancia entre estar juntos,
há uma enorme proximidade entre querer e não poder ter.
Na natureza tudo caminha de forma livre,
não há nada que possamos fazer
para determinar se vai chover ou fazer sol,
se o tempo irá passar ou nos esperar.

As relações seguem esse padrão,
como as águas que seguem seu rumo e ritmo
independentemente de qualquer ação.
Para mim você deve estar e representar
uma enorme possibilidade do querer,
onde através do seu lindo sorriso,
da sua capacidade infinita de se dar,
me permitir ser hoje o que já sou
e agregar, amanhã, algo que possa me fazer
melhor, mesmo que igual.

Por isso te peço e rezo para que você,
mesmo diante dos seus medos,
possa me deixar ser e continuar sendo
o que fomos no primeiro encontro,
que de baixo, só no nome do lugar.
Porque para mim você é uma alta montanha,
uma grande escalada, um enorme desafio.

AMOR

É incrível como o amor
é um sentimento isolado
que nos mantêm reféns
mas que não atua e nem determina
o que nos é mais caro.

Temos necessidades e deveres
que não são sujeitos a ele,
que não devem obediência
e muito menos merecem
menos atenção.

O amor vive quando
a ele nos podemos dar
a importância devida.
Temos que valorizá-lo
sem nunca promovê-lo
mais do que devemos.

É como uma jóia cara e rara
mas que deve ser
guardando com cuidado,
carinho e atenção.
Somente isso, nem um milímetro a mais.

Não deixar que ele interaja
com o resto dos nossos sentimentos,
me parece uma postura correta,
e ter a certeza que ele advém do coração,
nos da a noção exata,
que é com a emoção e nunca com a razão
que devemos encará-lo.

QUANDO VOCÊ PARTIU

No dia que eu deixei vc ir embora
eu fiquei lembrando de nos dois,
entre tremores e calmarias,
estive ancorado no meio do caminho,
no sertão agreste, na beira da paisagem,
na certeza do vazio que me restou,
na certeza do que poderia vir,
no que não vivi e não iria
mais viver, onde não estive
e nunca estarei.

É o desejo e a realidade frente a frente,
onde o meu medo é o meu maior querer.
Aceno pro que deixei partir,
rezo pro que sei que não ira voltar,
lembro do que não vivi e jamais viverei,
e a partir desse instante, não serei.

Incapaz do toque e da lembrança,
até porque, não existem lembranças que não
se consolidarão, não se fizeram real,
não se opuseram aos medos
aos delírios e a uma existência
que na realidade, não quisemos.

Através da sombra do meu querer
torto, louco e solto,
perambulando e irei te buscar,
num lugar onde poderei
encontrar o meu delírio,
os meus sentidos,
e finalmente, a minha existência.

O MEU LAMENTO

Cada um faz a sua
eu abri, eu deixei vc entrar
permiti que no meu coração vc habitasse,
que dentro dele vc desarrumasse
tudo de certo entre tantas
incertezas que eu cultivava.

A entrada era sujeita a minha deixa
já a saída, se um dia vc sairá,
caberá a vc esse movimento,
suas atenções, desleixos
e cuidados, irão determinar
quando e como será.

Não podemos determinar o futuro
mas cabe a nós o presente,
que sempre e pra sempre,
interage com o que ainda
não veio e não vivemos.

É como algo que não vemos
mas nos é próximo como um irmão.
No ar encontramos a vida,
no presente plantamos
e no futuro colhemos
o que os nosso desejos
e pais nos permitem a ter.

Eu quis e tinha quase tudo
pra te oferecer, me doe
não ter podido ir adiante,
distante da realidade,
lamento, lamentando
volto a sorrir, porque o sorriso
é algo que não me falta.

Distante de vc, que agora
aqui não está, volto a sorrir,
pois o meu sorriso, vc não levou,
Já o meu lamento, esse é todo seu!!!!