terça-feira, 24 de maio de 2016

Maturada

E lá vai o tempo que leva a gente
Os nossos descuidos
Transfazendo aquilo que não aninhou
Ao encontrar com a gente

Quando a juventude começa a nos deixar
Leva com ela algumas fraquezas
Aquelas impostas
Que não eram nossas

A beleza é jovem, mas é na pele macia
Trabalhada ao tempo
Que surgem as marcas maduras
Que não são jovens, nem tão pouco agudas

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Arbítrio

Minha consciência
não reside na razão.
Faltam-me rosas
pelos cantos
em que canto sem intuição.

Deixe-me
em raso prato fundo.
Eu testemunho.
Ao penetrar-te (em ti),
pela reza fresta porta.

Em dissoluto prazer, você
que em mim esteve
entre morte e fadiga,
flora leve vida,
em campos distantes
num quieto e soluçar florescer.

E nas manhãs sonoras
arbitremos a vida,
sem causa ou medo de ser,
sem melancolia de viver,
somente ao som da luz audaz
que nos principia.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sigo aos poucos

Há uma parte minha
De um eu menor
Talvez em maioria
De um todo que sou eu

Há uma minoria minha
Quase sempre em harmonia
Que de pouco em pouco
Muito me faz melhor

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

benquerença

Ela não suportava me ver sonhando
Que pena eu sinto dela
Viver uma vida sem sonhos
Seria o mesmo que viver a vida dela

Nem toda fala é pejorativo
Às vezes é só um saber
Um querer olhar diferente
Mesmo que muita gente não esteja vendo

A resposta da minha verdade
Não encontro no olhar de quem me vê
O que ela vê ao me olhar
Se não a ela própria e o seu querer?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A fé como alimento

De tempo em tempo
Trombamos com a vida
Caminhos opostos
Direções em bifurcação

Contando em tempos
Não mais do que um
Talvez cheguem a dois
Quem sabe até um pouco mais

Mais nunca foi tarde
Vivi de verdade e
Registrei em imagens
Aquilo que não queria mais

E segui sempre em frente
Sentado. Às vezes demente
Meu encontro com aquilo
Eu sabia. Seria minha salvação

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Selva de ruídos

Percebo melhor o presente                     
Quando abro mão dos medos
Que carrego e que sopram
Ventos de tempestade
Em tormentas noturnas de verão

Inspiro-me no passado
Quando mergulho em minhas nascentes                                           
Despedindo-me das palavras
Que habitam em mim
Numa privação voluntária do falar

E no silêncio conquistado
As palavras que moram em mim
Percebo o ciumes que sentem
Ao me verem íntimo
Do silêncio que também reside assim

Terras novas conquistadas
Ausento-me dessa selva de ruídos
Pelo tempo necessário
Secreto tempo que sopra e refresca
O que verdadeiramente sou

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Atabaques (rum, rumpi e le) .. meus

O som do meu coração é diverso. Plural
Às vezes ele é forte
Em outras quase de solidão

Os meus atabaques
Nem sempre ressoam
Mas nem tão pouco se afastam de mim

Nas minhas rezas
Nos dias em que durmo mais próximo de mim
Peço por tudo aquilo que ainda não sei

E o que sei, que desconfio
É que meu som chama pelo outro
O do transbordo, que pelas bordas flui

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mesmo imortal. Passa

Onde foi que nos tornamos imoral
Qual momento em que tudo se tornou marginal
... e toda essa loucura a cada dia mais real

Não condeno esse tempo
Nem tão pouco absorvo ou aceno
... no silêncio desse vácuo eu me sento. Quero espaço

É que na roda que gira gigante
Não sobra tempo, não sobra amante
... é meu rastro de sangue que suporta esse instante

domingo, 8 de novembro de 2015

Almas em multidão

Ser a parte, segregado
Muitos cegos
Tudo morto
Todos nós
É tudo muito pouco

Ser devoto, em vida
Quanto espanto
Tantos desenganos
Almas espalhadas
E todos tão loucos


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ser livre

Troco a beleza que seduz em massa,
o frescor dos contos de fada,
meus limites impostos por mim.

Quero meu tempo em minutos,
abro mão dos projetos futuros,
das taxas, impostos e tudo mais.

Planto com o tempo a meu favor,
espalhando meu futuro em sementes
que colho ao nascer de cada flor.

Encontro o silêncio que abraça
no sentido que se revela
e na química que brota em dois

Eu acredito no poder da minha dor

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Pra organizar ...

Não estou tentando
Pra fazer dar certo
Se nem ao certo sei
Que certo seria esse

Luto pelo direito de fazer
O que é correto ser feito
Mesmo que não seja o correto
Esse tal de certo impudente

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Correntes

Se me sentasse diante de você
Se possível fosse
Ao tempo que nos afastou
Meu perdão eu daria

Se ao amar você, tivesse eu
Me tornado cada vez mais eu
Talvez agora
Estivéssemos aqui. Seríamos dois

A vida é maior do que foi
Nosso encontro, chegou cedo
Ou nunca terá seu tempo
Pode ter sido o que foi

Na corrente dessa vida
São muitos galhos em toda margem
Podemos ficar para nos salvar
Ou ir ao encontro do que estar por vir

O tempo

Por querer ser diferente
Daquilo que somos
Somamos
É a soma dos desenganos
Um tipo de dizimo social

Ai
Na frente do espelho
Na hora da verdade
Não há ninguém
Não há imagem

E o que vemos diante da ausência
Da nossa própria imagem
É o tempo parado
Que pisca, se desculpa, vira o olho
E vai embora

sábado, 10 de outubro de 2015

Escolhas, caminhos

Erros que:
Não preciso mais!
Não esqueço mais. Os meus.
Portanto, posso conviver com os seus.

Não quero mais!
Porque esquecer que te amei?
Posso ressurgir desse além,
esse que me vi depois que você se foi

O tempo que tira,
é o mesmo do resgate,
o da hora do embate.
A diferença entre querer e o que vai ser.

Sou eu, aquele que posso.
Sou teu, tanto quanto você possa.
Aí realizo.
Somos o que podemos ser.

E vamos. Só há uma direção.
Compulsoriamente, andamos.
E a reflexão?
Ai vai do que queremos.
E será, fatalmente, o que seremos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Lua que me fala

Sou que nem maré
As vezes cheia, muitas vazia
Correntes que variam
Ondas quentes que depois esfriam
Tudo assim de repente
E vem a lua e diz
Se vai ser hoje ou só num outro dia

Mas entenda, o olhar que me olha
Por ser aflito não demora
Olhares aflitos não demoram
Partem felinos, menores
Fogem dos seus tremores, os de outrora

E na maré da vida
Nas correntes em que me jogo
Amo e também esqueço
Me torno seu pra poder ser meu
E sigo com meu terço
Desaguando pra poder encher
E ser visto com espera
Para ter tempo de aprender a viver

sábado, 5 de setembro de 2015

Outro dia | Entendi que

Ao ser perguntado
O que faz nessa vida?
Surpreso. Incorporado
Penso! respondi
Escuto como exercício
Antes de ser quem me tornei
Penso, desconfiando de muito
Aprendi que
Desejo o inverso do meu impulso
Quero o pulo, o salto no escuro
Ao clero muita luz ofusca
Não me confundo
Tornei meu pensar vocação
Evocando tudo que tenho
Por direito ou vocação
Minha evolução evoluiu, ser tornou
Meu maior desejo sexual, passou
Tornei-me apto, venho aprendendo amar
Definitivamente. Estou em festa

domingo, 30 de agosto de 2015

Limites?

Ando querendo variar de dor
Quem sabe até amar de novo

Uma estrada de terra nova
Conversas jogadas fora

Tudo puro e em pleno vazio
Novos odores entre tantos sabores

Sem muito pra dar
Ofereço meu mundo, todo

Que não é muito assim, mas
Mesmo não sendo, ele não tem fim


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Primavera minha

estou partindo
tudo está assim
clima de festa
em tarde de despedida

a onda do andar chegou
em séries gigantescas
como resistir?
o que me resta é partir também

partir daqui pra depois do além
dar meus passos. Seguir
seja com alguém
ou mesmo por ninguém

quando esse tempo chega
em vento de luz e sabedoria
no silêncio do escuro
fica claro: ele é real

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Meus Ciclos

Nessa manhã, assim que acordei
já sabia que não era o mesmo
E naquele instante, logo ali
comecei a me despedir
desse eu que amanhã
já será diferente

Engenheiro era o nome da rua (onde morei)

Foi um tempo curto
numa longa viagem. Bem fundo
Onde via o tempo evaporar
como ondas
Subia. Subia. O tempo que via

E bem lá em cima, parado
olhava pra mim e sorria
O Tempo. Depois apagava e ia
Abrindo tempo pra mais tempo
que vinha e subia. E subia
E eu ali vendo o tempo passar

Eu nunca soube o que eles diziam
se era o tempo sorrindo de dor
do tempo, por mim
ou de alegria. O que ele sentia
naqueles instantes que se despedia