domingo, 18 de junho de 2017

O tempo passa?

De tanto me visitar,
resolvi morar junto.
Depois de tanto sufocar,
respirei lento e profundo.
O tempo não gosta da gente,
é que enquanto ele passa,
um deus quase indecente,
pra gente, é ele quem fica!

domingo, 21 de maio de 2017

De ponta-cabeça

Tem mais gente
Contida que contendo
Fodida que fodendo
Nesse mundo reverso

Borrasca

Minha angustia é temporal
É grito de solo árido
De terra seca, sufocada
Que dança e pede por água
No desejo de voltar a pulsar
Surgindo dos olhares possíveis
A luz e as cores dos meus dias

segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Desamadurecer"

Não sei para onde irei
aqui, decerto o tempo não irá deixar
mas antes pedirei um momento
reservado e com o tempo.

E dançarei (não com ele)
com as dores
que pertencem a ele
e que não vou mais precisar.

Fui jovem por muito tempo
agora que amadureci
os erros
já não há mais como corrigir
em tempo, todos que cometi.

Impossibilitado desse acerto
resta cometer mais, outros talvez
E quando partir?
partirei assim, errado mesmo.

Profundidade

Entenda que a pele é o limite
a fronteira entre mundos
alguns são claros
outros escuros
tem escolhas rasas
mas podem ser profundas

Pegadas de vento

Foi o destino
que de tempo e vento chega
escorrendo em direções diversas
é a energia que vai e que volta
com o tempo e pelo vento
linha curva que desenrola
em plano de voo regular
partindo de um ponto
na direção daquilo que pude oferecer
e desejar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Navegação por estima

(ponto de partida, velocidade e rumo)

Futuro
enquanto você se distrai
o que era reta, vira curva
perde-se de vista

Futuro
a mudança acontece
quando o aprendizado se apodera
e transforma mais gente

Futuro
sinto que vivo
uma espécie de experimento
ainda assim, inevitável

Do futuro
espero que ele mude
que não seja mais esse
me oprimindo por saber
que ando de olho nele

domingo, 11 de setembro de 2016

em tempo de ter coragem

O tempo
quando domado pelo silêncio
vira fé
que alimentada pelo desejo
vira coragem

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ao som da viola

Vem ao longe, já
que invisto muito
em duas coisas na vida:
tempo e silêncio.

É que o tempo
me oferece a cura,
e o silêncio
me conduz até lá.

Depois de muito,
aprendi que o silêncio
faz do tempo,
o som da minha viola.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Em movimento

Eu apaixonado?
Ando.
Por ai, perdidamente.

sábado, 2 de julho de 2016

Lei de Lá

Não temo aquilo que me leva
ao fértil terreno da loucura
que ameniza as faltas desse mundo
e os espinhos que se espalham
pelo corpo inteiro do meu tempo

Onde divido o que penso
em cada fala tua
nessa metade da conversa que seria sua
e que não se completa
nem com toda essa minha loucura

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Com par, trilhar. Estou em retorno

Se você anda
e anda preocupada comigo
achando minha falta
espalhada por ai

É que andei paralelo
escondido desse tempo
embalando minha alma
que andou febril

Foram dias de inverno
no silencio da imaginação
com poesias se acumulando
na pausa da minha pulsação

Mas ando aos poucos voltando
como a leve andorinha
que ocupa, em voo
seus espaços vazios

terça-feira, 24 de maio de 2016

Maturada

E lá vai o tempo que leva a gente
Os nossos descuidos
Transfazendo aquilo que não aninhou
Ao encontrar com a gente

Quando a juventude começa a nos deixar
Leva com ela algumas fraquezas
Aquelas impostas
Que não eram nossas

A beleza é jovem, mas é na pele macia
Trabalhada ao tempo
Que surgem as marcas maduras
Que não são jovens, nem tão pouco agudas

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Arbítrio

Minha consciência
não reside na razão.
Faltam-me rosas
pelos cantos
em que canto sem intuição.

Deixe-me
em raso prato fundo.
Eu testemunho.
Ao penetrar-te (em ti),
pela reza fresta porta.

Em dissoluto prazer, você
que em mim esteve
entre morte e fadiga,
flora leve vida,
em campos distantes
num quieto e soluçar florescer.

E nas manhãs sonoras
arbitremos a vida,
sem causa ou medo de ser,
sem melancolia de viver,
somente ao som da luz audaz
que nos principia.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sigo aos poucos

Há uma parte minha
De um eu menor
Talvez em maioria
De um todo que sou eu

Há uma minoria minha
Quase sempre em harmonia
Que de pouco em pouco
Muito me faz melhor

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

benquerença

Ela não suportava me ver sonhando
Que pena eu sinto dela
Viver uma vida sem sonhos
Seria o mesmo que viver a vida dela

Nem toda fala é pejorativo
Às vezes é só um saber
Um querer olhar diferente
Mesmo que muita gente não esteja vendo

A resposta da minha verdade
Não encontro no olhar de quem me vê
O que ela vê ao me olhar
Se não a ela própria e o seu querer?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A fé como alimento

De tempo em tempo
Trombamos com a vida
Caminhos opostos
Direções em bifurcação

Contando em tempos
Não mais do que um
Talvez cheguem a dois
Quem sabe até um pouco mais

Mais nunca foi tarde
Vivi de verdade e
Registrei em imagens
Aquilo que não queria mais

E segui sempre em frente
Sentado. Às vezes demente
Meu encontro com aquilo
Eu sabia. Seria minha salvação

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Selva de ruídos

Percebo melhor o presente                     
Quando abro mão dos medos
Que carrego e que sopram
Ventos de tempestade
Em tormentas noturnas de verão

Inspiro-me no passado
Quando mergulho em minhas nascentes                                           
Despedindo-me das palavras
Que habitam em mim
Numa privação voluntária do falar

E no silêncio conquistado
As palavras que moram em mim
Percebo o ciumes que sentem
Ao me verem íntimo
Do silêncio que também reside assim

Terras novas conquistadas
Ausento-me dessa selva de ruídos
Pelo tempo necessário
Secreto tempo que sopra e refresca
O que verdadeiramente sou

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Atabaques (rum, rumpi e le) .. meus

O som do meu coração é diverso. Plural
Às vezes ele é forte
Em outras quase de solidão

Os meus atabaques
Nem sempre ressoam
Mas nem tão pouco se afastam de mim

Nas minhas rezas
Nos dias em que durmo mais próximo de mim
Peço por tudo aquilo que ainda não sei

E o que sei, que desconfio
É que meu som chama pelo outro
O do transbordo, que pelas bordas flui

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mesmo imortal. Passa

Onde foi que nos tornamos imoral
Qual momento em que tudo se tornou marginal
... e toda essa loucura a cada dia mais real

Não condeno esse tempo
Nem tão pouco absorvo ou aceno
... no silêncio desse vácuo eu me sento. Quero espaço

É que na roda que gira gigante
Não sobra tempo, não sobra amante
... é meu rastro de sangue que suporta esse instante