segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Só alguns

Somos,
em alguns encontros,
fragmentos espalhados
por energias compartilhadas
que promovem pequenos milagres
despercebidos,
e que,
com coragem,
dão conta de entender
quando as palavras
não são capazes, mais,
de dizer.

domingo, 18 de novembro de 2018

Dos olhares que vi ...

E o que vi, primeiro,
foi um olhar atento,
econômico nas informações,
porém nobre.

Pulsando porque sabia
que nunca caberia
na imagem, comum,
em que todos, e seus olhares,
cabiam.

E por ser assim, inquieto,
um olhar de quem nem sei se sabe,
se sente, se vai ou se semente,
ele era nascente!

Dos olhares que vi por ai,
esse foi diferente,
além de ver o que vi,
eu me vi dentro dele.


domingo, 11 de novembro de 2018

reverso familiar

me torno mais breve
nessa servidão
em febre, voluntária
onde quase não existo
restando apenas em um sopro
tudo aquilo que sei e sinto

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Calados pela vida que não tiveram

A vida da gente
sempre à espera de nós
Não sei se sou eu
ou a vida que espera
mas se na espera
não cabe o encontro
eu não caibo
dentro da vida dela.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O amor é barco a vela

Quando sinto amor
vem sempre
um fluir ao vento
na direção do mar

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Introjetado

Não sei ser a não ser, desejante
Condeno-me a condição livre
Correndo o risco, da liberdade
Ser somente uma ilusão

sábado, 30 de junho de 2018

Capoeira

Era um outro eu
Sempre deixado
Passado como o vento
Das manhãs que acordei

Era sempre eu
Transformado pelo dia que passou
E que levou e me trouxe
Aqui estou

Era eu e não era
O que sou
E se sou, serei sempre?
Fui com o que flertei

domingo, 17 de junho de 2018

na calada, da vida.

na sombria travessia
que a torna
sumidouro do espelho dele
em rosa pele
de veludo violeta
sorvem dois escorrendo em um

refém de respostas
coberta pelo tempo que a veste
não avista, despercebe
o olhar que lhe aponta
náufraga pela imagem
de um mundo inventado

quarta-feira, 9 de maio de 2018

dicotomia

é que busco
saber quem eu sou
no meio de muitos, loucos
que não querem saber não

domingo, 8 de abril de 2018

Passo onde tudo passa.

A saída é perceber,
quando tudo parece ruim,
que nunca é tão assim.

E sobre as certezas,
é certo que a vida muda,
e eu sigo assim.

Em voo

eu
sou
isso
Mesmo que ainda
um
esboço
disso.

sábado, 24 de março de 2018

Foda-se

Morro como sonhador ou visionário
Tanto faz
Meu interesse tá no percurso

Sonho por demais
Tanto faz
Vivo-os de todas as formas possíveis

Minha alma se impõe livre
Tanto faz
Livre estou, quando escolho ficar

quarta-feira, 7 de março de 2018

Da morte, a farsa é a vida.


A farsa do progresso é a ordem,
do eterno o amor.

Da imprensa a farsa é a notícia,
do pastor a dor.

Da liberdade a farsa é o controle,
dos fortes seu pudor.

Da sociedade a farsa são as classes,
da maldade o amor.

Da história a farsa é a verdade.
Quanto aos oprimidos? é que não sentem dor.

Para que servem as verdades?

Lei da atração

Quando o tempo para e tudo flutua
Por um beijo
Ou apenas o desejo que ecoa
Pelo silêncio da madrugada
Que nos separa

Onde tudo começa
Projetando o futuro
Que já caminha
Na direção do nosso encontro
Pelas vielas desse mesmo silêncio

É o desejo percorrendo
Os caminhos do tempo
Disfarçado e no descuido
Daqueles que dormem no presente
Enquanto a gente já é quase futuro

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Na cama

Todo dia
Acordo e vejo a luz da tua sombra,
no lençol esticado pela tua ausência.

Mais um dia
Levanto e deixo a saudade que me assombra,
nas manhãs em que não te vejo.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Eclodir para Exumar

Foi num instante
Quando olhei meu reflexo no espelho
(e percebi como um sábio)
Que para o novo
O velho precisava apodrecer.
E ao menos por horas
Abandonei a consciência
(soterrada nos escombros da minha história)
Garimpei minhas verdades
E me salvei de mim.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Um leão por dia

De todos os defeitos que tenho, e tenho,
a arrogância é a que mais avancei
na direção da minha própria cura

Isso sem falar na covardia, claro.
Se ainda o fosse
nem próximo disso estaria

O mundo te fala para ter coragem
e de forma covarde
te torna igual a ele.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

bosquejo da consciência

dos corpos que nascem morrendo
a primeira morte, entre tantas outras vividas.
encontradas em um corpo
marcas que ainda ferem (ainda curam)
que do útero partiu, esse corpo
à deriva.
passa-se o tempo
entre anos, escorrem-se vidas
entre tantos ombros
lado a lado, perdidos.
é chegada a idade do encontro
o primeiro real, em muitos anos
desse corpo marcado
por um sono profundo.
é a vida, consciente e aflita.

Cê, mente?

A vida,
transborda?
Correntes.
Serpentes,
brotam?
Ardentes.
Palavra,
sábias?
Opostos.
Escolhas,
nascem?
Raízes.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Concedes-me essa dança?

A palavra verdade
tem muito mais a ver com a palavra liberdade
do que alguma ausência de mentira.

E se essa verdade é seguramente o certo
e está dentro da realidade apresentada,
provavelmente não me representa.

Desconfio que a palavra verdade, sustenta muitas mentiras.