sábado, 22 de fevereiro de 2014

Nelas

Só vejo as curvas
Não suponho que há retas
Não percebo as setas
De onde moro, onde broto
Só curvas vejo
E quando vejo o menor curso
Logo viro
E insisto nas curvas
Somente elas
Que me levam
Não sei ao certo
Para onde
Para quando
Se para alguém
Mas só vejo elas
E sigo
Insistindo nelas

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Me transforma em segredo nosso

Chega no escura da madrugada,
no silêncio dos que já se foram
e dos que ainda não chegaram,
e se arruma na minha confusão.

Vem querendo ser feliz,
pra comemorar por dois,
porque depois de tanto esforço,
a vida, voltou a sorrir pra mim.

E nessa hora, nesse instante,
depois de muitas poucas cores,
abre-se um rio de flores, diante de mim.
Por isso vem, se veste de rosa e vem assim.

Ps. Que a vida traga muitas “rosas” ou somente uma.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Amo Amar

O amor,
desconstrói segredos.

Liberta muros,
alarga fronteiras.

Uni quem somos
ao que seremos.

Desperta sentidos e é bom,
quando escorre pelos dedos.

Ele só prende, quando liberta.
Se acende, nas melhores descobertas.

E transforma tudo, assim do nada,
nos fazendo sorrir, no meio da madrugada.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Se não

A decisão mais dura
é aquela tomada
na direção inversa
do amor que te apavora.
E que leva embora
a dor que habita,
em noites mal dormidas,
o colchão da tua história.
Nem sempre palavras dizem
aquilo que querem dizer.
A nós cabe as escolhas
com tudo que isso irá trazer.
Quando alguém tem você,
e te tem por todos os lados,
incluindo os avessos,
se não perceber,
melhor que vá
e que seja agora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Teoria das Capacitações

Ela pode estar em qualquer lugar
Com qualquer pessoa
Ou tomada pela mais imensa das solidões
O que importa?
Quando o coração sangra
Escorre por vias distantes
Repleta e tomada a todo instante
Pela mais cruel das capacitações
A nossa, quem dera poder não ser
Imaginação

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mundo Particular

Mergulhar na dor
Pra poder romper com as fronteiras do amor
Dor que me acorrenta
Que nasce do vazio deixado
Pela tua ausência
São saudades espalhadas em pó
Que cobrem os móveis da tua casa
É o tempo passando e se esfregando
Na nossa cara

A carne é o solo onde brota a minha pele
Já minha alma é discreta
É forte e é fraca, como os poetas
Tudo girando junto
Me deixando tonto e me fazendo mundo

O que me difere dos outros?
Muita coisa e muito pouco
São vazios que se abatem
Não nos deixando ter para onde ir
Nem tão pouco, de onde partir
Nessas horas de cansaço
Tiro os meus óculos
E usufruo dos benefícios
De minha vista cansada

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calma, é logo ali

Não foi um ano fácil.
Amanhã,
irá embora.
E não será fácil
dar adeus,
com o passado,
deixo muito de mim
e deixo agora.
O futuro vem ali,
trazendo consigo,
essa onda de vento,
que transforma tudo,
liberta prisões,
por vezes perpétuas,
e nos absolve sorrindo
em braços fortes de pai.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Que venha o tempo

Tempo estranho
Que me torno invisível
Nesse mundo que habito
Nesse estado insolúvel
Em que fui me transformando

Se o tempo traz sentidos
E a espera é necessária
Com a dor que me foi dada, sigo
Já que hoje
Não entendo quase nada

De certo
Só as manhãs que ficaram frias
As noites, vazias
E que nada mais restou
Além do silêncio das minhas certezas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas, perguntas e respostas

Eu te prometi
Diversas vezes prometi
Que chegaria aqui
Que traria nós dois
Você não acreditou
Você não!
E soltou a minha mão
Me deixou
Deixou aqui
Eu aqui, agora
Como prometi
Eu cheguei aqui
E agora, e ai?
Faço o que com isso?
Faço o que com algo que foi nosso
Foi meu para poder ser seu?
Faço o que com a razão?
Você faz o que do seu equívoco?
O que nós poderemos fazer?
Razão, a culpa
O errado, certo
Quem feriu, quem foi algoz
O que poderemos fazer?
A alegria se vestiu de preto
Partiu, e foi embora
O que nos restou além?
Aceitar a dor da cura
Ter fé no tempo
Rezar para que esse tempo
Nos traga colo?
Nosso conforto ruiu
Perdeu-se num tempo
Em que éramos unidos
Éramos amantes
E éramos amigos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nessa Vida

Posso ter o que quiser
Mas me interesso mesmo
Em ser o melhor que puder
Evoluir o máximo que der

Posso ganhar o mundo
Jantar com muitos
Dançar ao luar
Delirar com cada gota de luz solar

Posso mais, posso tudo
Não constranjo o meu mundo
E por isso, ele
É via aberta diante dos meus pés

Mas para que ter um mundo
Se ao contrário do seu surto
Meu desejo cabe repousado
Na pele do teu afago

Eu poderia amar a exaustão
Sonhar além da razão
Mas meus olhos rasos
Insistem em te cercar

domingo, 24 de novembro de 2013

Processo

Toma para si: o meu cuidado.
Apossa-se: da minha vida.
Impõe gratidão: a preços seus.
E ai:
Sucumbe diante de tudo.
Desconstrói o que tínhamos,
temendo ser, o que nunca seriamos.
Nesse mundo estranho de se viver,
onde as metas viram partida,
os resultados, antes do começo,
e um grande amor, como o nosso,
perde-se na poeira das tuas fugas,
resta-me somente:
A dor de não lhe querer mais,
o ranger de um corpo decidido
a não mais se movimentar,
e por último,
a certeza da descoberta futura
de um novo amor.

Mais isso, agora, não me traz alegria.
De certo, um dia, irá me trazer.

domingo, 10 de novembro de 2013

Conta gotas

O que construímos foi menor

que a soma de nós dois.

O encontro advém da soma,

como quando duas cores se juntam,

na criação de um novo tom.

 

Podíamos ter sido a soma de dois,

e não dois divididos, repatriados,

esquecidos todos os dias,

num pingar de risos que transbordam,

e me fazem chorar.

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto mais, transformado sou.

Quanto mais a vida me bate,
mais cheio de curvas fico.
Quanto mais amo alguém,
menos medo sinto.
Quanto mais me entrego,
dono de mim sou.

E o tempo que passa?
É o mesmo que leva.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dai-me tempo. Meu

Ah essa vontade de viver
Que não me abandona
Que rouba de mim
O encontro com a dor que me apaixona
E que me deixa entregue, imerso, livre
Quase sem pudor

Ah essa falta de vergonha
Que invade tudo que me cerca
Impõe enxurrada de cores
Num arco-íris vivo envenenar
Roubando de mim as sombras
Por onde posso me ausentar

Se eu soubesse algum atalho
Por onde pudesse sentar livre
Encontrar o meu silêncio
Distante de tudo e de mim
Poderia com carinho me namorar
Para ai sim, apesar de tudo, recomeçar

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Paternidade

Não, eu não faço poema que quero
Faço o que sou capaz

Aquele que sai por vontade própria
Que desrespeita meu desejo
E de forma insubordinada
Transborda, foge de mim

E nas horas em que mais preciso
Me dá adeus, me surpreende
E vai embora
Levando consigo
Ao olhar de quem de fora
Torna-se mundo
Conta sua própria história

Definitivamente
O meu poema não é meu
E nem será seu
Ele é semente
E tem vontade própria

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quando amo

Não sou permeável, assim
Não diluo fácil, não há fusão
Meu tronco, minha mente
Andam em vias inversas, contramão
 
Mas ao encontrar areia macia
Em terreno fértil de luz, sabedoria
Derreto por inteiro, viro líquido
E num pulsar de desejos, evaporo
 
São instantes únicos, metamorfoses
Onde deixo de ser o que pude
Para me tornar balão de gás e subir
Ao encontro da luz que me transforma

sábado, 5 de outubro de 2013

Estações

Onde mora minha coragem
Que sobrevive a tamanha desordem
De onde ela vem
Que caminhos percorre
Quais os lugares que me levará
 
De certo
Diante de tudo incerto
É que estou a deriva de mim mesmo
Percorrendo distâncias imensas
Em sol de purgatório, sentença
 
Mas não julgo querer diferente
Minha dor é caminho novo
É dela que parto, que desejo mais
É solo transitório de deserto
Em plena primavera, solidão
 
É dor de ventre materno
De colo macio que afasta
Que leva distância segura
Inverte meus polos
Transforma tudo que fui
Me faz verão

terça-feira, 1 de outubro de 2013

E agora, quem não sabe amar?

Seu amor é guarda blindada
Disfarçado livre desejo de amar
Que prende por não ser atacado
E morre por não saber existir
 
Teu ciúmes não nasce no peito
De onde todo amor se acomoda
Ele invade seus medos e lutos
Brotando das feridas da tua história
 
Já sua beleza é diferente
É algo latente pedindo passagem
Querendo sentir o cheiro ausente
Detrás dos muros, do lado de fora

"Função"

As noites servem
Para que outros continentes
Possam exercer a loucura do dia
Para que nossas almas
Possam permanecer em silêncio
E nossas mentes encontrem
Os sentidos dos nossos desejos
 
Servem também
Para dar vazão aos sorrisos
Libertar sombrio dos beijos aflitos
Das canções que não se calam
Embalando as horas dos que amam
Dos que foram amados
E dos que sonham ainda ser possível
 
Mas quando nada disso acontece
Cabe-nos o canto recatado e vazio
Da sala de estar que nos protege
Do frio cortante que nos domina
Em noites frias e vazias
Separa o silêncio generoso e só nosso
Do barulho tosco dos aflitos por "viver"

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cartas

Como você me tinha
Em proporções extremas
De tudo e tudo demais
Dos meus pés
Aos pensamentos meus
Que Já foram muitos
E muitos todos seus
 
Como você não percebeu
Que tudo que eu tinha
E tudo que eu queria
Era o querer seu
Ser olhado e percebido
E amado como sou
 
E agora que esse amor foi embora
Levando as cores e odores
Escrevo madrugada afora
Linhas que me chegam como um grito
Necessidade incontrolável de proclamar justiça
Atenuar feridas
 
Mas com o passar das linhas
Tornam-se, por desejo próprio
Cartas de amor
Amor desejado. Despejado
Mas não menos grandioso
Que feriu na proporção inversa que amou