quarta-feira, 2 de maio de 2012


SER POETA

Queria ser poeta
Ter acesso ao detalhe
Poder compreender melhor
O amor que não respira
A dor que movimenta
Uma letra que parece minha
A angustia que parte
A dor que fica e que é minha

Quando a esperança finda
Carrega consigo o desejo de querer
Onde mora a ansiedade de viver
Sem esperança não há desejo
Sem desejo não há ansiedade
Resta a dor que é legitima
E que me faz lembrar
Do que fui, do que sou
Do que serei transformado
De você e de mim

terça-feira, 1 de maio de 2012


AUDIÇÃO

Gosto dos momentos felizes
Mas não temo em perdê-los
Faço dos pensamentos
Meu lugar de conforto
Minha cama macia

Quando não temos para onde ir
A quem recorrer
Medimos nossas perdas
De forma terrível
Injusta e precária

Um momento não perpetua jamais
Meus pensamentos são meus
Minhas dores do mundo
E o que vou fazer
A vida ira me dizer

segunda-feira, 30 de abril de 2012


E quanto a isso, não há o que fazer!

Não tenho medo da morte
O que temo é que o meu tempo
Não seja o tempo que desejo
Que ele seja o tempo concedido

Não tinha medo de te perder
O que temia era ver você partir
Antes de tudo que tínhamos
Não ter crescido tudo que podia

Não tenho medo do amanhã
Sei, porque posso ver no que vivi
Traço de quem nunca desistiu
Nem na dor, nem do amor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

(necessárias) PALAVRAS


Demorei pra entender
Que você fica sentada atrás da mesa
Imobilizada pelos seus monstros
Incapaz de perceber quem sou

Na tangente do que deveria fazer
Impõe aos seus soldados
O front, onde você nunca está
Seus medos são maiores que seus sonhos

E na ausência das suas possibilidades
Paralisada e voraz, comanda, em retirada
O que pra você representa, equivocadamente
Atitudes disfarçadas de escolhas

Mas para mim, só eu sei
Você também, quando apaga as luzes
E finge dormir o sono dos justos
Não passa de um General com o “cú na mão”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resposta..


Nesse momento? Estou bem!
Ouvindo minhas músicas
Bebendo qualquer coisa
Pensando devagar

Como no vai e vem das marés
Existem horas que não passam
Tempos que não chegam
Dias que não vão

Teu cheiro foi embora
Teu sorriso não sorri pra mim
Nossos beijos,
E os abraços de pé.

Vou e volto
Parto sem ter ido
Não sei o que é raso
Nem tão pouco permitido

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MANHÃS

Nessa manhã que precede
De forma urgente,
Meus maiores desejos,
Fui tomado por inteiro
Que minha estrela guie os meus passos.
E que meu olhar não perca o foco,
E nem a direção que devo continuar olhando.
E que ao amanhecer, outra vez,
Meu coração possa repousar,
Acreditando sem titubear,
Que sempre irão existir motivos novos,
Mesmo que já vividos,
Para que se possa sorrir e ser feliz.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MANTRA


Eu quero paz, eu quero o canto,
Eu quero a semente, a poesia e o mar.

Eu quero tudo novo, e tudo outra vez
Eu quero dançar, sorrir e brincar.

Eu quero a escolha, eu quero a semente
Eu quero ir pra poder voltar.

Eu quero a visão e a cegueira
Eu quero a fala, a luta e uma mulher.

Eu quero muito e quero pouco
Eu quero dormir e acordar pra te beijar.

Eu quero tudo e quero você
Quero que volte com vontade de ficar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SÓ HAVIA VOCÊ


Meu amor foi flechado pelo passado.
Ficou pequeno diante de um tempo,
Maior que ele mesmo. Mesmo não sendo.

E na manhã de luz clara e mesa posta,
Foi embora sem dar um beijo.
Um beijo derradeiro.

E no silêncio da tarde que chegou,
Sentado na mesa do almoço sem pratos,
Pequei um copo e encontrei meu rosto.

E nesse copo marcado pelo último gole
Que sua boca, pintada, deixou,
Só havia um rosto. Não havia você.

E na mesa vazia, com o copo assinado,
E no silêncio deixado pela sua partida,
Fechei meus olhos e encontrei você.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TRÊS TEMPOS


Coração, pulmão e rim
Meus pés, meu tronco
Cotovelo, joelho
Baço, pinico e marfim

Pensamentos muitos
Atitudes impregnadas
Reações descabidas
Olhares partidos

Quando o amor passa
O antes vira saudade
O durante torna-se dor
E o depois vira crença

CICLO


Esse frio que sinto
Que chega nas tardes, nas noites
E em muitas manhãs de segunda
Que inicia minhas semanas
Que me faz ficar entre cobertas
No silêncio do meu travesseiro

Olhos molhados em dias de inverno
Não tão abertos, não tão fechados
Mente lenta, sem sede
Que corre do presente
Lembrando do que acabou de passar
Insistentemente. Minuto a minuto

Como gotas de tempo
Torturando-me em cada pingo
Em cada suspiro dado pela tua ausência
E no tempo entre uma coisa e outra
Encontro mais tempo, e mais tempo
Infinito tempo que não para de chegar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAMINHAR


O que vem primeiro

A fé que temos

Ou o silêncio imposto

Que nos obriga a pensar

Quando o som se vai

Antes da hora desejada

Deixa um vácuo de fala

Risca o chão que pisamos

Dilacera os nossos sonhos

E no meio de quase nada

E como um mergulhador

Em apneia e fundo

O olho fecha, a mente para

E o movimento cadenciado dos pés

É a única coisa que nos sobra

TEMPO QUE SINTO

Quando a conheci

Saltava alto, descia lento

Ainda posso ver

Eu parava as horas.

Quando a conheci

Falava-me sobre a vida

Com a emoção de quem vê

O início de um novo dia

Eu ainda posso ouvir

Tempo que não passa.

Dias deram lugar a dias

Noites com muitos odores

Verdades que foram ditas

E na gangorra do porto da vida

Vejo-a partir

E com meus punhos cerrados

Sinto-me impedido de voltar a sorrir.


Até que o tempo volte a passar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VAZIO

O lado vazio, o som que chega
O lençol arrumado. A tua ausência
O seu cheiro que não vejo, não percebo
O silêncio desorganizado que grita
O outro lado da mesa. O vazio

Da pasta de dente, do fio dental
A falta do pé, do café e do jornal
Da sua varanda, do meu arguile
Do seu sorriso, dos seus dedos. Do pé
Da batida, do vinho, do brinde. De ter fé

Da primeira vez em que te vi
Do escritório. Do alto Leblon
De todas as tardes roubadas. Dos beijos
Da areia da Duna, do sol de Jeri
Saudade de tudo: do que vi e do que não vi 

REZA FORTE (curta)

"QUE SEJA FEITO A SUA VONTADE"
............................................Só não me peça para dizer AMÉM!

GAME

Nunca acreditei que éramos perfeitos
Quis aprender a conviver com as diferenças
Com os defeitos e desencontros
Quis valorizar e admirar as qualidades
Essa era minha crença, onde quis chegar

Não foi possível, fomos roubados
Perdemos-nos no meio de tanto e de tão pouco
Deixamos e partimos abandonando o que tínhamos
E hoje o que nos restou foi o que não fizemos
As lembranças de tudo que poderíamos ter feito

Venho tentando equacionar essa matemática
Que não fecha aos meus olhos turvos
Queria ter dito muito, amado mais e melhor
Tive que me despedir, aceitar um tempo errado
Compreender que agora não sou mais dois

Ando dormindo pouco para ter mais tempo
Tempo de perceber melhor o que restou
E olhando o futuro refletido no teto do meu quarto
Vejo que estou com dificuldades, que não será fácil
Mas que ainda não terminei e que tudo não será em vão

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UM TIPO DE NAVIO DE GUERRA

Minha cultura é letrada
Influência de tudo que vi
E daquilo que ainda não pude perceber

Nascem ai todos os meus acertos e erros
Tudo oriundo da mesma fonte
Nascente do rio que insiste em transbordar
Pelas minhas bordas rasas

Rio que flui e molda minhas correntes
E que me leva mesmo nas horas
Em que desejo um tronco, uma pausa

Todas as cores, correntes e serpentes
Emolduradas pelo reflexo do céu
Em minhas águas, nem sempre limpas

De certo, só que sou meu próprio barco
A deriva em minhas próprias possibilidades
Onde o que posso fazer é navegar
Afinal, sou o capitão da minha própria fragata
E isso eu não tenho como negar

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

NOVOS RUMOS

Tenho vivido um tempo menor

onde tenho visto menos

sentido menos os cheiros

falado de forma mais baixa e curta

Minha casa já não me encanta

Tenho encontrado as coisas fora do lugar

Meu “lugar” anda mudando

Tenho achado desperdício o que sei

Diante dos quarenta anos que já vivi

Tenho muitos amigos que já não bastam

Tenho tido, apesar do medo,

Vontade de ganhar o mundo

Compreendi que apesar de muito

Sou apenas mais um no meio de tantos

E apesar de tantos, que somos,

Temos feito pouco barulho

A verdade é que não tenho me emocionado

E emocionado ninguém

Minha escrita anda pobre

Minhas fronteiras andam vazias

Mas estou bem, só queria saber

Se é isso mesmo, ou se só estou

A um passo de arriscar outra vez.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

COLO

Ao invés de ser acolhido
Percebo medo nos seus gestos
Condições são impostas
Barreiras de proteção
Arames farpados que me cortam

O país das verdades não existe
Não quero ser mais um habitante
De um lugar que não existe
Densamente povoado

Eu te acolho nas suas dores
Eu te amparo, assumo o controle
Os erros e as desculpas
Peço sem temer

Percebo agora quando você fala
“Eu teria feito mesmo sem você”
Sem as minhas atitudes
Diante da sua dor

Para se amar é necessário um par
Para os anos passarem, o tempo
Para um amor sobreviver
Um dá colo para depois receber

sábado, 16 de julho de 2011

PONTO E CRUZ

Nos últimos dias venho vivendo em compasso de espera
Diante de uma promessa recebida
Aguardo ansiosamente por ela
O tempo se arrastou, as horas passaram
E até aqui nada que me faça dormir chegou

Tive tempo de sobra, pensei, pensei muito
Percebi e encontrei já nos acréscimos
Algo maior que a possibilidade da chegada
Um bem enorme diante das horas lentas
Esse jogo eu quis jogar, e pude
Só não posso mais, encontrei o limite

Meu tempo maior diante do seu tempo imposto
Aceito e oriento que siga na busca das suas respostas
Mas o meu tempo está no fim, o jogo está para acabar
Hoje é o último dia desses meus dias
Dias de espera. Contagem regressiva

Depois disso tenho muito para fazer, afinal:
Se você parar de cantar sobre coisas desagradáveis,
Estará reduzido a cantar sobre bordado em ponto e cruz.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TRIBUNAL

Manter-me calmo ereto e focado
Diante do tempo nublado
Que chegou ate aqui
Não deixar que a síndrome de abstinência
Que sinto na sua ausência
Venha contaminar, me destruir

Não importou o que falei
O que fiz ou o que fui até aqui
Fui condenado à revelia
Reflexo do seu dedo em minha direção

Todos os holofotes sobre a minha cabeça
Desvios, feridas e uma vida inteira
Apoiados nos meus ombros
Tudo responsabilidade minha

Quarta feira de um inverno rigoroso
Deitado entre o branco da areia e o azul do céu
Ganho espaço, dimensão. Respiro.
Ouço o som dos peixes
Sinto o vento na minha direção

Calmo, sento no banco dos réus
Isento, julgo todas as minhas acusações
E no último instante, me absorvo

Proponho que você abaixe o dedo
Que me ofereça sua mão
Já que a experiência é o preço da evolução
E o futuro esta ai, as estações passam
E no final, os números tendem a se igualar