segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calma, é logo ali

Não foi um ano fácil.
Amanhã,
irá embora.
E não será fácil
dar adeus,
com o passado,
deixo muito de mim
e deixo agora.
O futuro vem ali,
trazendo consigo,
essa onda de vento,
que transforma tudo,
liberta prisões,
por vezes perpétuas,
e nos absolve sorrindo
em braços fortes de pai.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Que venha o tempo

Tempo estranho
Que me torno invisível
Nesse mundo que habito
Nesse estado insolúvel
Em que fui me transformando

Se o tempo traz sentidos
E a espera é necessária
Com a dor que me foi dada, sigo
Já que hoje
Não entendo quase nada

De certo
Só as manhãs que ficaram frias
As noites, vazias
E que nada mais restou
Além do silêncio das minhas certezas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas, perguntas e respostas

Eu te prometi
Diversas vezes prometi
Que chegaria aqui
Que traria nós dois
Você não acreditou
Você não!
E soltou a minha mão
Me deixou
Deixou aqui
Eu aqui, agora
Como prometi
Eu cheguei aqui
E agora, e ai?
Faço o que com isso?
Faço o que com algo que foi nosso
Foi meu para poder ser seu?
Faço o que com a razão?
Você faz o que do seu equívoco?
O que nós poderemos fazer?
Razão, a culpa
O errado, certo
Quem feriu, quem foi algoz
O que poderemos fazer?
A alegria se vestiu de preto
Partiu, e foi embora
O que nos restou além?
Aceitar a dor da cura
Ter fé no tempo
Rezar para que esse tempo
Nos traga colo?
Nosso conforto ruiu
Perdeu-se num tempo
Em que éramos unidos
Éramos amantes
E éramos amigos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nessa Vida

Posso ter o que quiser
Mas me interesso mesmo
Em ser o melhor que puder
Evoluir o máximo que der

Posso ganhar o mundo
Jantar com muitos
Dançar ao luar
Delirar com cada gota de luz solar

Posso mais, posso tudo
Não constranjo o meu mundo
E por isso, ele
É via aberta diante dos meus pés

Mas para que ter um mundo
Se ao contrário do seu surto
Meu desejo cabe repousado
Na pele do teu afago

Eu poderia amar a exaustão
Sonhar além da razão
Mas meus olhos rasos
Insistem em te cercar

domingo, 24 de novembro de 2013

Processo

Toma para si: o meu cuidado.
Apossa-se: da minha vida.
Impõe gratidão: a preços seus.
E ai:
Sucumbe diante de tudo.
Desconstrói o que tínhamos,
temendo ser, o que nunca seriamos.
Nesse mundo estranho de se viver,
onde as metas viram partida,
os resultados, antes do começo,
e um grande amor, como o nosso,
perde-se na poeira das tuas fugas,
resta-me somente:
A dor de não lhe querer mais,
o ranger de um corpo decidido
a não mais se movimentar,
e por último,
a certeza da descoberta futura
de um novo amor.

Mais isso, agora, não me traz alegria.
De certo, um dia, irá me trazer.

domingo, 10 de novembro de 2013

Conta gotas

O que construímos foi menor

que a soma de nós dois.

O encontro advém da soma,

como quando duas cores se juntam,

na criação de um novo tom.

 

Podíamos ter sido a soma de dois,

e não dois divididos, repatriados,

esquecidos todos os dias,

num pingar de risos que transbordam,

e me fazem chorar.

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto mais, transformado sou.

Quanto mais a vida me bate,
mais cheio de curvas fico.
Quanto mais amo alguém,
menos medo sinto.
Quanto mais me entrego,
dono de mim sou.

E o tempo que passa?
É o mesmo que leva.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dai-me tempo. Meu

Ah essa vontade de viver
Que não me abandona
Que rouba de mim
O encontro com a dor que me apaixona
E que me deixa entregue, imerso, livre
Quase sem pudor

Ah essa falta de vergonha
Que invade tudo que me cerca
Impõe enxurrada de cores
Num arco-íris vivo envenenar
Roubando de mim as sombras
Por onde posso me ausentar

Se eu soubesse algum atalho
Por onde pudesse sentar livre
Encontrar o meu silêncio
Distante de tudo e de mim
Poderia com carinho me namorar
Para ai sim, apesar de tudo, recomeçar

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Paternidade

Não, eu não faço poema que quero
Faço o que sou capaz

Aquele que sai por vontade própria
Que desrespeita meu desejo
E de forma insubordinada
Transborda, foge de mim

E nas horas em que mais preciso
Me dá adeus, me surpreende
E vai embora
Levando consigo
Ao olhar de quem de fora
Torna-se mundo
Conta sua própria história

Definitivamente
O meu poema não é meu
E nem será seu
Ele é semente
E tem vontade própria

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quando amo

Não sou permeável, assim
Não diluo fácil, não há fusão
Meu tronco, minha mente
Andam em vias inversas, contramão
 
Mas ao encontrar areia macia
Em terreno fértil de luz, sabedoria
Derreto por inteiro, viro líquido
E num pulsar de desejos, evaporo
 
São instantes únicos, metamorfoses
Onde deixo de ser o que pude
Para me tornar balão de gás e subir
Ao encontro da luz que me transforma

sábado, 5 de outubro de 2013

Estações

Onde mora minha coragem
Que sobrevive a tamanha desordem
De onde ela vem
Que caminhos percorre
Quais os lugares que me levará
 
De certo
Diante de tudo incerto
É que estou a deriva de mim mesmo
Percorrendo distâncias imensas
Em sol de purgatório, sentença
 
Mas não julgo querer diferente
Minha dor é caminho novo
É dela que parto, que desejo mais
É solo transitório de deserto
Em plena primavera, solidão
 
É dor de ventre materno
De colo macio que afasta
Que leva distância segura
Inverte meus polos
Transforma tudo que fui
Me faz verão

terça-feira, 1 de outubro de 2013

E agora, quem não sabe amar?

Seu amor é guarda blindada
Disfarçado livre desejo de amar
Que prende por não ser atacado
E morre por não saber existir
 
Teu ciúmes não nasce no peito
De onde todo amor se acomoda
Ele invade seus medos e lutos
Brotando das feridas da tua história
 
Já sua beleza é diferente
É algo latente pedindo passagem
Querendo sentir o cheiro ausente
Detrás dos muros, do lado de fora

"Função"

As noites servem
Para que outros continentes
Possam exercer a loucura do dia
Para que nossas almas
Possam permanecer em silêncio
E nossas mentes encontrem
Os sentidos dos nossos desejos
 
Servem também
Para dar vazão aos sorrisos
Libertar sombrio dos beijos aflitos
Das canções que não se calam
Embalando as horas dos que amam
Dos que foram amados
E dos que sonham ainda ser possível
 
Mas quando nada disso acontece
Cabe-nos o canto recatado e vazio
Da sala de estar que nos protege
Do frio cortante que nos domina
Em noites frias e vazias
Separa o silêncio generoso e só nosso
Do barulho tosco dos aflitos por "viver"

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cartas

Como você me tinha
Em proporções extremas
De tudo e tudo demais
Dos meus pés
Aos pensamentos meus
Que Já foram muitos
E muitos todos seus
 
Como você não percebeu
Que tudo que eu tinha
E tudo que eu queria
Era o querer seu
Ser olhado e percebido
E amado como sou
 
E agora que esse amor foi embora
Levando as cores e odores
Escrevo madrugada afora
Linhas que me chegam como um grito
Necessidade incontrolável de proclamar justiça
Atenuar feridas
 
Mas com o passar das linhas
Tornam-se, por desejo próprio
Cartas de amor
Amor desejado. Despejado
Mas não menos grandioso
Que feriu na proporção inversa que amou

Casa vazia

Não chegue agora
Antes da sua volta
Preciso arrumar o quarto
Acender as velas
Deixar tudo à sua espera
 
O que antes era avenida aberta
Por onde nos achávamos
Agora é trilha fechada
Tomada por capim
Que nasce em solo abandonado
 
Como voltar se não existe mais caminho
O que antes era largo, só nosso
Tornou-se baldio, vazio
Nosso mundo à espera de reformas
Com mato crescendo por todas as horas
 
Há poeira por todos os lados
Não existe mais acesso
O que sobrou foi o barulho do mar
E com o barco que construo agora
Irei navegar por esse mundo afora
 
Mas sei, não me engano
Em todos os portos
Em cada cidade que desembarcar
Lembrarei de você, sentirei saudades
Da casa que tivemos em dias de encontro

domingo, 15 de setembro de 2013

Capturado

A mulher é a síntese mais
aguda dos meus pensamentos.



A retórica inversa de uma dor
que me apaixona.


A verdade incorreta
na expressão do meu sorriso.


A beleza da lágrima
escorrida no meu rosto.


A sutileza brutal
da ausência da minha razão.


E, por fim, a possibilidade única
representada nas tentativas das minhas fugas
onde o que mais desejo, sempre,

é ser descoberto.

Ainda não acabou

Horas que não passam
Dias que não chegam
Nada passa, nada muda
Nem a agua e nem a tumba
Que minha alma, sedenta
Insiste em repousar

E nas curvas dos meus sonhos
Percebo de onde vim
E para onde vou
Encontro as respostas
Que estão expostas
Bem na minha frente, lá

O que preciso é caminhar
Carregando essas pernas
Que pesam colheita generosa
De dores nascidas em solo seu
E que, a cada dia que colho
Torno menos duro, o dia de manhã

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nas fotos em que te vejo

Enquanto percebo a vida ao redor
Em seu curso ferozmente iluminado
Percebo o silencio comedido
Enjaulado por traz da manta
Que separa os que sofrem
Da luz que o sol irradia
 
Vejo seu corpo, vejo pele e vejo osso
Sorrisos forjados em lagrimas contidas
Frases escritas nas redes da vida
Que quando proferidas não duram muito
Escorrem pelos dedos das mãos
Que asfixiaram nossas vidas 

Tentativa tosca de retomar
A vida que foi ceifada
Desperdício de afeto e parceria
Em dias e noites que se confundem
Onde não há sol e nem há lua
Nesse solo seco sem adubo

E nesse teatro social e banal
Repleto de dores e vazios
Não encontro respostas plausíveis
Que possam trazer o sol e a lua
Nossas verdades contidas
Nos sorrisos estampados nas fotos futuras

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Da Série: Rendado


Mão que escrevo

Ser poeta é diferente,
toma conta e dá na gente.
Alface, tomate e pimentão.
É jiló que se come com a mão.
 
É acordar sem ter dormido.
E ter dormido de frente pra gente.
É tufão, é contundente.
É sinal de porrada que se sai na mão.
 
É com tudo e tudo prepotente.
Sinais da mente que sentenciam,
que dão carinho e direção.
É plantar semente com a própria mão.
 
Ser poeta é diferente,
mas quem disse que quero ser igual.
Dor, alegria, e exaustão,
tudo que minha mão precisa,
pra seguir em frente.