quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MANTRA


Eu quero paz, eu quero o canto,
Eu quero a semente, a poesia e o mar.

Eu quero tudo novo, e tudo outra vez
Eu quero dançar, sorrir e brincar.

Eu quero a escolha, eu quero a semente
Eu quero ir pra poder voltar.

Eu quero a visão e a cegueira
Eu quero a fala, a luta e uma mulher.

Eu quero muito e quero pouco
Eu quero dormir e acordar pra te beijar.

Eu quero tudo e quero você
Quero que volte com vontade de ficar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SÓ HAVIA VOCÊ


Meu amor foi flechado pelo passado.
Ficou pequeno diante de um tempo,
Maior que ele mesmo. Mesmo não sendo.

E na manhã de luz clara e mesa posta,
Foi embora sem dar um beijo.
Um beijo derradeiro.

E no silêncio da tarde que chegou,
Sentado na mesa do almoço sem pratos,
Pequei um copo e encontrei meu rosto.

E nesse copo marcado pelo último gole
Que sua boca, pintada, deixou,
Só havia um rosto. Não havia você.

E na mesa vazia, com o copo assinado,
E no silêncio deixado pela sua partida,
Fechei meus olhos e encontrei você.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TRÊS TEMPOS


Coração, pulmão e rim
Meus pés, meu tronco
Cotovelo, joelho
Baço, pinico e marfim

Pensamentos muitos
Atitudes impregnadas
Reações descabidas
Olhares partidos

Quando o amor passa
O antes vira saudade
O durante torna-se dor
E o depois vira crença

CICLO


Esse frio que sinto
Que chega nas tardes, nas noites
E em muitas manhãs de segunda
Que inicia minhas semanas
Que me faz ficar entre cobertas
No silêncio do meu travesseiro

Olhos molhados em dias de inverno
Não tão abertos, não tão fechados
Mente lenta, sem sede
Que corre do presente
Lembrando do que acabou de passar
Insistentemente. Minuto a minuto

Como gotas de tempo
Torturando-me em cada pingo
Em cada suspiro dado pela tua ausência
E no tempo entre uma coisa e outra
Encontro mais tempo, e mais tempo
Infinito tempo que não para de chegar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAMINHAR


O que vem primeiro

A fé que temos

Ou o silêncio imposto

Que nos obriga a pensar

Quando o som se vai

Antes da hora desejada

Deixa um vácuo de fala

Risca o chão que pisamos

Dilacera os nossos sonhos

E no meio de quase nada

E como um mergulhador

Em apneia e fundo

O olho fecha, a mente para

E o movimento cadenciado dos pés

É a única coisa que nos sobra

TEMPO QUE SINTO

Quando a conheci

Saltava alto, descia lento

Ainda posso ver

Eu parava as horas.

Quando a conheci

Falava-me sobre a vida

Com a emoção de quem vê

O início de um novo dia

Eu ainda posso ouvir

Tempo que não passa.

Dias deram lugar a dias

Noites com muitos odores

Verdades que foram ditas

E na gangorra do porto da vida

Vejo-a partir

E com meus punhos cerrados

Sinto-me impedido de voltar a sorrir.


Até que o tempo volte a passar.