quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Alforria

Sonhei com esse lugar
Previ nós dois aqui
Desejei tanto
Que aqui estou
Sei que gostaria
Sei que não pôde
Sei e não sei tanta coisa
E quando sei. Tudo muda

Mas isso não muda
A vida segue e seguindo
Decidi levar você comigo
Me despir das dores
Cuidar bem daquilo
Daquilo que fizemos de melhor
Pelo tempo que fizemos melhor
Vou salvar nos dois
Vou nos perdoar

domingo, 16 de novembro de 2014

Matemática

Sonhos
e mais sonhos
somados dão mais

Poesias
são cores que colorem as dores
dos meus dias teatrais

Tudo em tão pouco
que de pouco em pouco
muito escorre

Cobrindo aquilo que ficou
e que me tornou
esse alguém que estou agora

Gi de Jeri .. ..

Eu to brotando por todas as bordas
a toda hora dou de cara com um alguém
que nem sei que sou
algo além daqui, de mim
que sempre quis
mesmo quando menos sabia
muitas curvas. Escorregadias
as vezes vinham os freios,
muitas: muro
silêncios intermináveis.
Quase sangrava
meus choros? Incontestáveis
e depois de muito,
surjo aqui
do outro lado do muro, do morro,
de muito.
To vivo, e to atento.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Romance inacabado

E de tudo o que pensei
Do pouco que disse
Diante dela nada se ouviu
Embora prometido contar tudo
Mesmo o não sabido
Entre arredores amplos e prólogos
Fez-se breve ela

(Impregnado por Macedonio Fernández)

sábado, 5 de julho de 2014

Jogo de Búzios

Trago a pessoa amada todo dia
Todo dia trago a pessoa amada, trago
Trago pois a solto
Trago pois a amo
Trago, e após a tragada
Quero vê-la esfumaçar-se
E que se nuvem.
E se chover?
E que se chova, que se mova
E que me ame.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Bordas minhas, bodas (em 365 dias)

Por meses pensei intensamente
Ao ponto além
De exaurir todas as sementes
Que em mim haviam de habitar

Esperei por mim, somente assim
Num desvendar bailar de panos
Para nunca mais e sem prantos
Ao seu entorno veria ela, o meu dançar

E bailei, bailei sozinho
Bailei aos poucos, devagarinho
Num salvar-me eu
Pelas bordas minhas

E ao escorrer desse destino
No retorno ao solo, meu abrigo
Encontrei meu pulso intenso germinar
Que não me sujeita e nem me define

terça-feira, 25 de março de 2014

Perigosamente causado

Sou minha própria sentença
Em parte cura, na outra loucura
Retorcido pelos meus dias
Em nem sempre certas
Escolhas minhas

Por vezes caminhos
Dão voltas por demais
Contornam medos
Proliferam segredos
Nos afastam de nós

São momentos que se repetem
Em ciclos determinados
Pela ausência da coragem,
Da clareza dos que desejam
Ou do poder infinito de uma mulher

quarta-feira, 19 de março de 2014

Meu canto florido


A vida que se faz
que acontece e que reluz
nunca imposta pelo tempo
camuflada entre virgulas e olhares
entre as folhas verdes
de palmeiras repousadas
bem no chão, lá no fundo
bem atrás, bem pra mais
dos limites do meu jardim
é lá que encontro o que não vejo
onde viro torrente e me acalmo
e me sujo por dentro
e ressurjo pelo centro de mim mesmo.










 

sábado, 1 de março de 2014

O que não nasce da morte?

A saudade veio me visitar
Bateu na minha porta
Invadiu minha casa nova
Ainda insiste em me assombrar

Traz velhos e distantes momentos
A vida que já não é mais minha
Um amor que deixou só pó
Em chão de boiadeiro

Dos céus que foram nossos
Dos sorrisos bem próximos
Das rezas do Senhor do Bonfim
Dos lamentos e encantos sem fim

Desde que percebi desejar salvar
Somente aquilo que só a mim pertencia
Transformando todo o resto em fruto
Tento o encontro equilibrado e possível

Mas já não largo a mão da morte
Quero ir com ela. Estou e(m) parto
Acabei farto
Já não me encontro mais aqui

Tentei unir dois mundos
Em vias tão desiguais
Derrubar seus muros
Com coragem, invadir seus escuros

Doce engano
Éramos como a morte
Tínhamos passado, teríamos futuro
Não fomos capazes de ser presente

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Nelas

Só vejo as curvas
Não suponho que há retas
Não percebo as setas
De onde moro, onde broto
Só curvas vejo
E quando vejo o menor curso
Logo viro
E insisto nas curvas
Somente elas
Que me levam
Não sei ao certo
Para onde
Para quando
Se para alguém
Mas só vejo elas
E sigo
Insistindo nelas

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Me transforma em segredo nosso

Chega no escura da madrugada,
no silêncio dos que já se foram
e dos que ainda não chegaram,
e se arruma na minha confusão.

Vem querendo ser feliz,
pra comemorar por dois,
porque depois de tanto esforço,
a vida, voltou a sorrir pra mim.

E nessa hora, nesse instante,
depois de muitas poucas cores,
abre-se um rio de flores, diante de mim.
Por isso vem, se veste de rosa e vem assim.

Ps. Que a vida traga muitas “rosas” ou somente uma.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Amo Amar

O amor,
desconstrói segredos.

Liberta muros,
alarga fronteiras.

Uni quem somos
ao que seremos.

Desperta sentidos e é bom,
quando escorre pelos dedos.

Ele só prende, quando liberta.
Se acende, nas melhores descobertas.

E transforma tudo, assim do nada,
nos fazendo sorrir, no meio da madrugada.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Se não

A decisão mais dura
é aquela tomada
na direção inversa
do amor que te apavora.
E que leva embora
a dor que habita,
em noites mal dormidas,
o colchão da tua história.
Nem sempre palavras dizem
aquilo que querem dizer.
A nós cabe as escolhas
com tudo que isso irá trazer.
Quando alguém tem você,
e te tem por todos os lados,
incluindo os avessos,
se não perceber,
melhor que vá
e que seja agora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Teoria das Capacitações

Ela pode estar em qualquer lugar
Com qualquer pessoa
Ou tomada pela mais imensa das solidões
O que importa?
Quando o coração sangra
Escorre por vias distantes
Repleta e tomada a todo instante
Pela mais cruel das capacitações
A nossa, quem dera poder não ser
Imaginação

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mundo Particular

Mergulhar na dor
Pra poder romper com as fronteiras do amor
Dor que me acorrenta
Que nasce do vazio deixado
Pela tua ausência
São saudades espalhadas em pó
Que cobrem os móveis da tua casa
É o tempo passando e se esfregando
Na nossa cara

A carne é o solo onde brota a minha pele
Já minha alma é discreta
É forte e é fraca, como os poetas
Tudo girando junto
Me deixando tonto e me fazendo mundo

O que me difere dos outros?
Muita coisa e muito pouco
São vazios que se abatem
Não nos deixando ter para onde ir
Nem tão pouco, de onde partir
Nessas horas de cansaço
Tiro os meus óculos
E usufruo dos benefícios
De minha vista cansada

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calma, é logo ali

Não foi um ano fácil.
Amanhã,
irá embora.
E não será fácil
dar adeus,
com o passado,
deixo muito de mim
e deixo agora.
O futuro vem ali,
trazendo consigo,
essa onda de vento,
que transforma tudo,
liberta prisões,
por vezes perpétuas,
e nos absolve sorrindo
em braços fortes de pai.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Que venha o tempo

Tempo estranho
Que me torno invisível
Nesse mundo que habito
Nesse estado insolúvel
Em que fui me transformando

Se o tempo traz sentidos
E a espera é necessária
Com a dor que me foi dada, sigo
Já que hoje
Não entendo quase nada

De certo
Só as manhãs que ficaram frias
As noites, vazias
E que nada mais restou
Além do silêncio das minhas certezas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas, perguntas e respostas

Eu te prometi
Diversas vezes prometi
Que chegaria aqui
Que traria nós dois
Você não acreditou
Você não!
E soltou a minha mão
Me deixou
Deixou aqui
Eu aqui, agora
Como prometi
Eu cheguei aqui
E agora, e ai?
Faço o que com isso?
Faço o que com algo que foi nosso
Foi meu para poder ser seu?
Faço o que com a razão?
Você faz o que do seu equívoco?
O que nós poderemos fazer?
Razão, a culpa
O errado, certo
Quem feriu, quem foi algoz
O que poderemos fazer?
A alegria se vestiu de preto
Partiu, e foi embora
O que nos restou além?
Aceitar a dor da cura
Ter fé no tempo
Rezar para que esse tempo
Nos traga colo?
Nosso conforto ruiu
Perdeu-se num tempo
Em que éramos unidos
Éramos amantes
E éramos amigos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nessa Vida

Posso ter o que quiser
Mas me interesso mesmo
Em ser o melhor que puder
Evoluir o máximo que der

Posso ganhar o mundo
Jantar com muitos
Dançar ao luar
Delirar com cada gota de luz solar

Posso mais, posso tudo
Não constranjo o meu mundo
E por isso, ele
É via aberta diante dos meus pés

Mas para que ter um mundo
Se ao contrário do seu surto
Meu desejo cabe repousado
Na pele do teu afago

Eu poderia amar a exaustão
Sonhar além da razão
Mas meus olhos rasos
Insistem em te cercar

domingo, 24 de novembro de 2013

Processo

Toma para si: o meu cuidado.
Apossa-se: da minha vida.
Impõe gratidão: a preços seus.
E ai:
Sucumbe diante de tudo.
Desconstrói o que tínhamos,
temendo ser, o que nunca seriamos.
Nesse mundo estranho de se viver,
onde as metas viram partida,
os resultados, antes do começo,
e um grande amor, como o nosso,
perde-se na poeira das tuas fugas,
resta-me somente:
A dor de não lhe querer mais,
o ranger de um corpo decidido
a não mais se movimentar,
e por último,
a certeza da descoberta futura
de um novo amor.

Mais isso, agora, não me traz alegria.
De certo, um dia, irá me trazer.