quinta-feira, 21 de maio de 2015

Safári

Eu to morrendo
e meus olhos
insistem em enxergar

Eu to vivendo
entre almas mortas
que me fazem gritar

Choro compulsivamente
pela Lagoa, mortos dentro e fora
em cada esquina

Todos estamos em morte
é ódio para todos os lados
o amor sendo dilacerado

São facas que não cortam mais
não cumprem seus destinos
só matam nessa selva africana

Quero sair vivo desse mundo
e não viver morto nessa cegueira sufocante
tenho filho e quem sabe, terei netos

Guarda Roupas

A felicidade
é como um vácuo
no meio da cidade

Onde não há som
nem movimento
nenhuma canção

É a vida
em estado bruto, ali
Diante dos nossos olhos

E o que sentimos
é a verdade dos nossos atos
aquilo que nos tornou

Queria você nesse brinde
Sair vivo dessa vida, juntos
transcender

Mas nesse instante
que tudo se revela
se conecta e faz sentido

Agora sei, essa dor é minha
e o tempo parou
para eu trocar de roupa

sábado, 28 de fevereiro de 2015

VIDa(mode)ON

Quero que saibas
Que és importante para mim
Eu sei, andamos distantes
Extraviados por nós mesmos
Ao som, ao léu
Dos nossos sonhos

Mas devemos compreender
Que és importante para mim
E assim sendo
Não há de ser diferente
O que também, nobre
Sentes por mim

Não quero nada assim
Nem tão pouco
Você para mim
Mas devemos compreender
Que não podemos continuar
Esquecidos assim

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Me fala ..

O que sobra no fim?

Quando a peça termina
As cortinas são fechadas
E os sonhos vão dormir

O que rola além do fim?

Quando a vida que seguimos
Vira sonho de menino
Em noites frias de verão

O que vem após o fim?

Dos instantes em que gozamos
Dos gritos que nos livramos
Das dores sem limites ou fim

O que sobrou pra mim?

Com a justa cor dos Peregrinos
Sem pernas ou rosto feminino
Encontro o que a muito acreditei

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Afogados

É bastante difícil
Flerta com o limite
O quase que nos engole, tudo
Um amor, um sonho
Aquilo que não fui
O que não nasceu
Quando falta tempo

Tudo virando saudade
Num bate e rebate
Dessa maquina
Que tudo lava, sacode
Da dor que alimenta
Que nos faz surgir
Afogando-nos em vida

Pura pele, lira
Que surge, sacode e precipita
Num levar de aguas
Transbordadas de fronteiras
E que ainda, nos ilumina
Pura flor de letargia
Que sufoca, liberta
Afogando tudo que não nos é
Que nunca foi e nem será

domingo, 18 de janeiro de 2015

Do meu jeito

De tudo um pouco, melancolia
Quero a cura que suporta e alivia
No meu mundo, sou
Sua dor? não é minha alegria

Quando sei quem sou
Meu mundo vira magia
E o que desejo?
Tudo em mim é fantasia

Nem eu mesmo sei se sou
Chegada ou partida
Luz, alicerce
Buraco ou cimento em cima?

Por que nasci
A razão, certa, que escolhi caminhos
Pelos quais motivos cresci
E por que, enfim, resisti até aqui?

Os amores surgem
Com cheiro de passado
Gosto de felicidade, lento baiano
Cheiro de terra ou gosto de serra?

Mas a realidade contraria tudo
E aquele olhar que faz barulho?
O passado é meu aliado
Como o futuro, que sou eu quem faço

Espero que a vida entenda
Que o recente foi solidão
Que meu mundo encolhido, foi o que restou
E que agora, ressurjo da minha própria ilusão

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Onde ir

Entre maços e abraços
Entre dores e excessos
Um pouco de tudo, as vezes só

Entre dias escuros
E vem uma noite tão bela
Entre o que já sei
E tudo aquilo que ainda não sei
Eu vejo um mundo

Um mundo que afunda
E você sem saber disso
Meu corpo envelhece a cada dia
E você não está aqui, cuidando disso
Sua pele não me tem
E não diferente, envelhece também

Longe e sem cuidados, meus
Sem eu saber, privado de ver
Arqueólogo de mim mesmo
Perfurando peles
Muitos "eus" que nem sei se existem

Cadê você. Cadê você
Quem sabe o que
Quem pode dizer o que vai ser

Tudo gira, tudo muda
Num piscar de olhos
O amor deixa de existir

E o mundo gira
Noite vira dia e dia vira
Dor e alegria

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Conservação e Restauro

Meu último amor tentou me matar
Roubou de mim, pensamentos meus
Pior: Levou lembranças, saudades
Não os tenho mais
Levou aquilo que não se fez real

Ainda há barulho ao meu redor
E tudo por tão pouco
Inexistências de um mundo
De um amor não correspondido
Como possível fosse
Sendo verdadeiro esse amor

Quando passou por aqui
Alterando minha razão
Ao vê-la pelas costas, percebi
O quanto devastador foi
Secaram-se florestas

Arvores foram arrancadas
Roubadas de mim
Como se não houvesse além da razão
A minha mais profunda imagem
Daquele eu que a ela
Um dia, pareceu assustador

Diante da tormenta que a mim foi imposta
Sem aviso prévio ou carta de despedida
Naufrago de mim, sucumbi em terra
Seca de deserto, árida por solidão
Ao retorno expresso a vida que me foi tomada
Parti trôpego em busca de alguma flor

E segui
Segui na esperança que pudesse em mim
Conservar a vida que tardiamente
Percebi ter sido ilusória
Restando hoje, a minha real imagem
Que acolho, abraço e restauro

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Alforria

Sonhei com esse lugar
Previ nós dois aqui
Desejei tanto
Que aqui estou
Sei que gostaria
Sei que não pôde
Sei e não sei tanta coisa
E quando sei. Tudo muda

Mas isso não muda
A vida segue e seguindo
Decidi levar você comigo
Me despir das dores
Cuidar bem daquilo
Daquilo que fizemos de melhor
Pelo tempo que fizemos melhor
Vou salvar nos dois
Vou nos perdoar

domingo, 16 de novembro de 2014

Matemática

Sonhos
e mais sonhos
somados dão mais

Poesias
são cores que colorem as dores
dos meus dias teatrais

Tudo em tão pouco
que de pouco em pouco
muito escorre

Cobrindo aquilo que ficou
e que me tornou
esse alguém que estou agora

Gi de Jeri .. ..

Eu to brotando por todas as bordas
a toda hora dou de cara com um alguém
que nem sei que sou
algo além daqui, de mim
que sempre quis
mesmo quando menos sabia
muitas curvas. Escorregadias
as vezes vinham os freios,
muitas: muro
silêncios intermináveis.
Quase sangrava
meus choros? Incontestáveis
e depois de muito,
surjo aqui
do outro lado do muro, do morro,
de muito.
To vivo, e to atento.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Romance inacabado

E de tudo o que pensei
Do pouco que disse
Diante dela nada se ouviu
Embora prometido contar tudo
Mesmo o não sabido
Entre arredores amplos e prólogos
Fez-se breve ela

(Impregnado por Macedonio Fernández)

sábado, 5 de julho de 2014

Jogo de Búzios

Trago a pessoa amada todo dia
Todo dia trago a pessoa amada, trago
Trago pois a solto
Trago pois a amo
Trago, e após a tragada
Quero vê-la esfumaçar-se
E que se nuvem.
E se chover?
E que se chova, que se mova
E que me ame.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Bordas minhas, bodas (em 365 dias)

Por meses pensei intensamente
Ao ponto além
De exaurir todas as sementes
Que em mim haviam de habitar

Esperei por mim, somente assim
Num desvendar bailar de panos
Para nunca mais e sem prantos
Ao seu entorno veria ela, o meu dançar

E bailei, bailei sozinho
Bailei aos poucos, devagarinho
Num salvar-me eu
Pelas bordas minhas

E ao escorrer desse destino
No retorno ao solo, meu abrigo
Encontrei meu pulso intenso germinar
Que não me sujeita e nem me define

terça-feira, 25 de março de 2014

Perigosamente causado

Sou minha própria sentença
Em parte cura, na outra loucura
Retorcido pelos meus dias
Em nem sempre certas
Escolhas minhas

Por vezes caminhos
Dão voltas por demais
Contornam medos
Proliferam segredos
Nos afastam de nós

São momentos que se repetem
Em ciclos determinados
Pela ausência da coragem,
Da clareza dos que desejam
Ou do poder infinito de uma mulher

quarta-feira, 19 de março de 2014

Meu canto florido


A vida que se faz
que acontece e que reluz
nunca imposta pelo tempo
camuflada entre virgulas e olhares
entre as folhas verdes
de palmeiras repousadas
bem no chão, lá no fundo
bem atrás, bem pra mais
dos limites do meu jardim
é lá que encontro o que não vejo
onde viro torrente e me acalmo
e me sujo por dentro
e ressurjo pelo centro de mim mesmo.










 

sábado, 1 de março de 2014

O que não nasce da morte?

A saudade veio me visitar
Bateu na minha porta
Invadiu minha casa nova
Ainda insiste em me assombrar

Traz velhos e distantes momentos
A vida que já não é mais minha
Um amor que deixou só pó
Em chão de boiadeiro

Dos céus que foram nossos
Dos sorrisos bem próximos
Das rezas do Senhor do Bonfim
Dos lamentos e encantos sem fim

Desde que percebi desejar salvar
Somente aquilo que só a mim pertencia
Transformando todo o resto em fruto
Tento o encontro equilibrado e possível

Mas já não largo a mão da morte
Quero ir com ela. Estou e(m) parto
Acabei farto
Já não me encontro mais aqui

Tentei unir dois mundos
Em vias tão desiguais
Derrubar seus muros
Com coragem, invadir seus escuros

Doce engano
Éramos como a morte
Tínhamos passado, teríamos futuro
Não fomos capazes de ser presente

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Nelas

Só vejo as curvas
Não suponho que há retas
Não percebo as setas
De onde moro, onde broto
Só curvas vejo
E quando vejo o menor curso
Logo viro
E insisto nas curvas
Somente elas
Que me levam
Não sei ao certo
Para onde
Para quando
Se para alguém
Mas só vejo elas
E sigo
Insistindo nelas

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Me transforma em segredo nosso

Chega no escura da madrugada,
no silêncio dos que já se foram
e dos que ainda não chegaram,
e se arruma na minha confusão.

Vem querendo ser feliz,
pra comemorar por dois,
porque depois de tanto esforço,
a vida, voltou a sorrir pra mim.

E nessa hora, nesse instante,
depois de muitas poucas cores,
abre-se um rio de flores, diante de mim.
Por isso vem, se veste de rosa e vem assim.

Ps. Que a vida traga muitas “rosas” ou somente uma.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Amo Amar

O amor,
desconstrói segredos.

Liberta muros,
alarga fronteiras.

Uni quem somos
ao que seremos.

Desperta sentidos e é bom,
quando escorre pelos dedos.

Ele só prende, quando liberta.
Se acende, nas melhores descobertas.

E transforma tudo, assim do nada,
nos fazendo sorrir, no meio da madrugada.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Se não

A decisão mais dura
é aquela tomada
na direção inversa
do amor que te apavora.
E que leva embora
a dor que habita,
em noites mal dormidas,
o colchão da tua história.
Nem sempre palavras dizem
aquilo que querem dizer.
A nós cabe as escolhas
com tudo que isso irá trazer.
Quando alguém tem você,
e te tem por todos os lados,
incluindo os avessos,
se não perceber,
melhor que vá
e que seja agora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Teoria das Capacitações

Ela pode estar em qualquer lugar
Com qualquer pessoa
Ou tomada pela mais imensa das solidões
O que importa?
Quando o coração sangra
Escorre por vias distantes
Repleta e tomada a todo instante
Pela mais cruel das capacitações
A nossa, quem dera poder não ser
Imaginação

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mundo Particular

Mergulhar na dor
Pra poder romper com as fronteiras do amor
Dor que me acorrenta
Que nasce do vazio deixado
Pela tua ausência
São saudades espalhadas em pó
Que cobrem os móveis da tua casa
É o tempo passando e se esfregando
Na nossa cara

A carne é o solo onde brota a minha pele
Já minha alma é discreta
É forte e é fraca, como os poetas
Tudo girando junto
Me deixando tonto e me fazendo mundo

O que me difere dos outros?
Muita coisa e muito pouco
São vazios que se abatem
Não nos deixando ter para onde ir
Nem tão pouco, de onde partir
Nessas horas de cansaço
Tiro os meus óculos
E usufruo dos benefícios
De minha vista cansada

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calma, é logo ali

Não foi um ano fácil.
Amanhã,
irá embora.
E não será fácil
dar adeus,
com o passado,
deixo muito de mim
e deixo agora.
O futuro vem ali,
trazendo consigo,
essa onda de vento,
que transforma tudo,
liberta prisões,
por vezes perpétuas,
e nos absolve sorrindo
em braços fortes de pai.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Que venha o tempo

Tempo estranho
Que me torno invisível
Nesse mundo que habito
Nesse estado insolúvel
Em que fui me transformando

Se o tempo traz sentidos
E a espera é necessária
Com a dor que me foi dada, sigo
Já que hoje
Não entendo quase nada

De certo
Só as manhãs que ficaram frias
As noites, vazias
E que nada mais restou
Além do silêncio das minhas certezas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas, perguntas e respostas

Eu te prometi
Diversas vezes prometi
Que chegaria aqui
Que traria nós dois
Você não acreditou
Você não!
E soltou a minha mão
Me deixou
Deixou aqui
Eu aqui, agora
Como prometi
Eu cheguei aqui
E agora, e ai?
Faço o que com isso?
Faço o que com algo que foi nosso
Foi meu para poder ser seu?
Faço o que com a razão?
Você faz o que do seu equívoco?
O que nós poderemos fazer?
Razão, a culpa
O errado, certo
Quem feriu, quem foi algoz
O que poderemos fazer?
A alegria se vestiu de preto
Partiu, e foi embora
O que nos restou além?
Aceitar a dor da cura
Ter fé no tempo
Rezar para que esse tempo
Nos traga colo?
Nosso conforto ruiu
Perdeu-se num tempo
Em que éramos unidos
Éramos amantes
E éramos amigos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nessa Vida

Posso ter o que quiser
Mas me interesso mesmo
Em ser o melhor que puder
Evoluir o máximo que der

Posso ganhar o mundo
Jantar com muitos
Dançar ao luar
Delirar com cada gota de luz solar

Posso mais, posso tudo
Não constranjo o meu mundo
E por isso, ele
É via aberta diante dos meus pés

Mas para que ter um mundo
Se ao contrário do seu surto
Meu desejo cabe repousado
Na pele do teu afago

Eu poderia amar a exaustão
Sonhar além da razão
Mas meus olhos rasos
Insistem em te cercar

domingo, 24 de novembro de 2013

Processo

Toma para si: o meu cuidado.
Apossa-se: da minha vida.
Impõe gratidão: a preços seus.
E ai:
Sucumbe diante de tudo.
Desconstrói o que tínhamos,
temendo ser, o que nunca seriamos.
Nesse mundo estranho de se viver,
onde as metas viram partida,
os resultados, antes do começo,
e um grande amor, como o nosso,
perde-se na poeira das tuas fugas,
resta-me somente:
A dor de não lhe querer mais,
o ranger de um corpo decidido
a não mais se movimentar,
e por último,
a certeza da descoberta futura
de um novo amor.

Mais isso, agora, não me traz alegria.
De certo, um dia, irá me trazer.

domingo, 10 de novembro de 2013

Conta gotas

O que construímos foi menor

que a soma de nós dois.

O encontro advém da soma,

como quando duas cores se juntam,

na criação de um novo tom.

 

Podíamos ter sido a soma de dois,

e não dois divididos, repatriados,

esquecidos todos os dias,

num pingar de risos que transbordam,

e me fazem chorar.

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto mais, transformado sou.

Quanto mais a vida me bate,
mais cheio de curvas fico.
Quanto mais amo alguém,
menos medo sinto.
Quanto mais me entrego,
dono de mim sou.

E o tempo que passa?
É o mesmo que leva.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dai-me tempo. Meu

Ah essa vontade de viver
Que não me abandona
Que rouba de mim
O encontro com a dor que me apaixona
E que me deixa entregue, imerso, livre
Quase sem pudor

Ah essa falta de vergonha
Que invade tudo que me cerca
Impõe enxurrada de cores
Num arco-íris vivo envenenar
Roubando de mim as sombras
Por onde posso me ausentar

Se eu soubesse algum atalho
Por onde pudesse sentar livre
Encontrar o meu silêncio
Distante de tudo e de mim
Poderia com carinho me namorar
Para ai sim, apesar de tudo, recomeçar

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Paternidade

Não, eu não faço poema que quero
Faço o que sou capaz

Aquele que sai por vontade própria
Que desrespeita meu desejo
E de forma insubordinada
Transborda, foge de mim

E nas horas em que mais preciso
Me dá adeus, me surpreende
E vai embora
Levando consigo
Ao olhar de quem de fora
Torna-se mundo
Conta sua própria história

Definitivamente
O meu poema não é meu
E nem será seu
Ele é semente
E tem vontade própria

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quando amo

Não sou permeável, assim
Não diluo fácil, não há fusão
Meu tronco, minha mente
Andam em vias inversas, contramão
 
Mas ao encontrar areia macia
Em terreno fértil de luz, sabedoria
Derreto por inteiro, viro líquido
E num pulsar de desejos, evaporo
 
São instantes únicos, metamorfoses
Onde deixo de ser o que pude
Para me tornar balão de gás e subir
Ao encontro da luz que me transforma

sábado, 5 de outubro de 2013

Estações

Onde mora minha coragem
Que sobrevive a tamanha desordem
De onde ela vem
Que caminhos percorre
Quais os lugares que me levará
 
De certo
Diante de tudo incerto
É que estou a deriva de mim mesmo
Percorrendo distâncias imensas
Em sol de purgatório, sentença
 
Mas não julgo querer diferente
Minha dor é caminho novo
É dela que parto, que desejo mais
É solo transitório de deserto
Em plena primavera, solidão
 
É dor de ventre materno
De colo macio que afasta
Que leva distância segura
Inverte meus polos
Transforma tudo que fui
Me faz verão

terça-feira, 1 de outubro de 2013

E agora, quem não sabe amar?

Seu amor é guarda blindada
Disfarçado livre desejo de amar
Que prende por não ser atacado
E morre por não saber existir
 
Teu ciúmes não nasce no peito
De onde todo amor se acomoda
Ele invade seus medos e lutos
Brotando das feridas da tua história
 
Já sua beleza é diferente
É algo latente pedindo passagem
Querendo sentir o cheiro ausente
Detrás dos muros, do lado de fora

"Função"

As noites servem
Para que outros continentes
Possam exercer a loucura do dia
Para que nossas almas
Possam permanecer em silêncio
E nossas mentes encontrem
Os sentidos dos nossos desejos
 
Servem também
Para dar vazão aos sorrisos
Libertar sombrio dos beijos aflitos
Das canções que não se calam
Embalando as horas dos que amam
Dos que foram amados
E dos que sonham ainda ser possível
 
Mas quando nada disso acontece
Cabe-nos o canto recatado e vazio
Da sala de estar que nos protege
Do frio cortante que nos domina
Em noites frias e vazias
Separa o silêncio generoso e só nosso
Do barulho tosco dos aflitos por "viver"

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cartas

Como você me tinha
Em proporções extremas
De tudo e tudo demais
Dos meus pés
Aos pensamentos meus
Que Já foram muitos
E muitos todos seus
 
Como você não percebeu
Que tudo que eu tinha
E tudo que eu queria
Era o querer seu
Ser olhado e percebido
E amado como sou
 
E agora que esse amor foi embora
Levando as cores e odores
Escrevo madrugada afora
Linhas que me chegam como um grito
Necessidade incontrolável de proclamar justiça
Atenuar feridas
 
Mas com o passar das linhas
Tornam-se, por desejo próprio
Cartas de amor
Amor desejado. Despejado
Mas não menos grandioso
Que feriu na proporção inversa que amou

Casa vazia

Não chegue agora
Antes da sua volta
Preciso arrumar o quarto
Acender as velas
Deixar tudo à sua espera
 
O que antes era avenida aberta
Por onde nos achávamos
Agora é trilha fechada
Tomada por capim
Que nasce em solo abandonado
 
Como voltar se não existe mais caminho
O que antes era largo, só nosso
Tornou-se baldio, vazio
Nosso mundo à espera de reformas
Com mato crescendo por todas as horas
 
Há poeira por todos os lados
Não existe mais acesso
O que sobrou foi o barulho do mar
E com o barco que construo agora
Irei navegar por esse mundo afora
 
Mas sei, não me engano
Em todos os portos
Em cada cidade que desembarcar
Lembrarei de você, sentirei saudades
Da casa que tivemos em dias de encontro

domingo, 15 de setembro de 2013

Capturado

A mulher é a síntese mais
aguda dos meus pensamentos.



A retórica inversa de uma dor
que me apaixona.


A verdade incorreta
na expressão do meu sorriso.


A beleza da lágrima
escorrida no meu rosto.


A sutileza brutal
da ausência da minha razão.


E, por fim, a possibilidade única
representada nas tentativas das minhas fugas
onde o que mais desejo, sempre,

é ser descoberto.

Ainda não acabou

Horas que não passam
Dias que não chegam
Nada passa, nada muda
Nem a agua e nem a tumba
Que minha alma, sedenta
Insiste em repousar

E nas curvas dos meus sonhos
Percebo de onde vim
E para onde vou
Encontro as respostas
Que estão expostas
Bem na minha frente, lá

O que preciso é caminhar
Carregando essas pernas
Que pesam colheita generosa
De dores nascidas em solo seu
E que, a cada dia que colho
Torno menos duro, o dia de manhã

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nas fotos em que te vejo

Enquanto percebo a vida ao redor
Em seu curso ferozmente iluminado
Percebo o silencio comedido
Enjaulado por traz da manta
Que separa os que sofrem
Da luz que o sol irradia
 
Vejo seu corpo, vejo pele e vejo osso
Sorrisos forjados em lagrimas contidas
Frases escritas nas redes da vida
Que quando proferidas não duram muito
Escorrem pelos dedos das mãos
Que asfixiaram nossas vidas 

Tentativa tosca de retomar
A vida que foi ceifada
Desperdício de afeto e parceria
Em dias e noites que se confundem
Onde não há sol e nem há lua
Nesse solo seco sem adubo

E nesse teatro social e banal
Repleto de dores e vazios
Não encontro respostas plausíveis
Que possam trazer o sol e a lua
Nossas verdades contidas
Nos sorrisos estampados nas fotos futuras

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Da Série: Rendado


Mão que escrevo

Ser poeta é diferente,
toma conta e dá na gente.
Alface, tomate e pimentão.
É jiló que se come com a mão.
 
É acordar sem ter dormido.
E ter dormido de frente pra gente.
É tufão, é contundente.
É sinal de porrada que se sai na mão.
 
É com tudo e tudo prepotente.
Sinais da mente que sentenciam,
que dão carinho e direção.
É plantar semente com a própria mão.
 
Ser poeta é diferente,
mas quem disse que quero ser igual.
Dor, alegria, e exaustão,
tudo que minha mão precisa,
pra seguir em frente.

Verão meu

Você,
Não amou o suficiente
Seus longos atalhos
Não confrontados
Não o suficiente
Quase chegou
Lenta, mente, sua
Cansou, foi dormir
Me deixou 

Fria noite,
Em suma ponte, redentor
Que atravessa a falta, o seco
Que encontra aqui dentro
Vasto campo podre
Afagando serpentes
Revendo duendes
Espalhados nas noites
Noites frias de um verão

Da Série: Rendado


Da Série: Rendado



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A verdade do meu olhar

O lado furioso da tristeza
No olhar que surgiu paralisado
Que tomou meus minutos
Revolveu minhas poeiras
Silenciou a mim e a todo resto 

Espaço de tempo de tempo de dois
De dores ocultas, de olhares perdidos
Do vazio que nasce da tua verdade
Dos amores que se partem
Preenchem, esvaziando a exaustão 

Quando entrei no banheiro
Não sabia que encontraria
A verdade pintada em luz
Crua e cortante como a cruz
Refletido no meu olhar
Nesse espelho em que me olho


Quando olhei sua foto
Não sabia que estaria lá
Cada pedaço de dor
Todas as saudades do amor
Refletidos no seu olhar
Nessa foto em que te olho

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ser Eu | Ser Você

Freio de mão,
Catraca e corrimão.
Rabo de porco,
Carré de morto. Limão.
Mata arrancada,
Carne que sangra,
Gente que mata.
Que gente?

Quero o dia,
Luz a vista.
Meu passo livre,
Vitrine sem vidro,
Cachorro com latido,
Gato semente,
Traslado sem direção.

A ordem que causa,
Mente minha desordem,
Faz com que eu acorde,
E nem tente,
Somar pela igual aparência,
Embaçada lente.
Não tento. Não tente.