terça-feira, 26 de março de 2013

O som do coração


Pois é, vai entender
os caminhos do coração.
Assim do nada, grita
o nome de quem o possui.

Como numa orquestra,
no som do coração,
encontro a harmonia
que preenche meu silêncio.
Encurta a distância.
Me traz você.

Nessa partitura,
encontro mais, encontro amor,
encontro paixão, carinho,
encontro parceria.
Encontro até a paz.

Paz que insiste em me deixar,
em tempos duros com menos cor.
E vivo através dele meu presente.
Vou de encontro ao futuro.
Passo a compreender, melhor, o que vivi.

Nessa musica composta por nós,
(maestro e maestrina)
seguimos as pistas,
os rastros dos sons deixados
por nossos corações.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A minha chegada

Diante do agreste vocal
que fui tomado,
na enxurrada de emoções,
afogado, minha fala secou.

Vou represar minhas emoções,
dar vazão ao silêncio,
cuidar das feridas,
e acolher minha paralisia.

Paraplégico de mais possibilidades,
passo a acreditar no repouso.
Imponho isso a minha alma,
transitoriamente em frangalhos.

Da visão corrompida, brota:
A reza por um parto, uma ressurreição.
O inicio que parte do fim.
A chegada que vem antes da partida.

E sigo, aclamando pela ordem perdida.
Pela partida da ótica do caos instalado.
Do saber sem fome, mas sedento.
Da engrenagem corrompida, paralisada.

E na crença da cura,
do dia que está por vir,
no colo de quem amo,
aguardo, ansiosamente, por mim.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Navedevagar

Eu já fui temperamental,
já fui genial,
eu já fui medíocre.

Eu já fui gente boa,
já fiquei de bobeira,
Eu já fui barraqueiro.
E andei pelos céus,
dancei pelos mares,
e fui bailarino.

A verdade é que percorri muitas milhas,
já vivi muitas intrigas,
Já amei ao luar.

E no passar das estrelas,
entre o céu e laranjeiras,
eu vivi de um tudo e mais.

E sentado na mureta,
onde a terra toca o céu,
no limite dos meus tempos,
meu passado, meu presente,
mesma coisa e diferente,
continuo a navegar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Inveja branca e invertida


Gosto da vida,
Das manhas, das tardes
E das noites.

Tenho o olhar atento,
Dentro desses tempos,
Para a hora que o sol se põe.

De forma rápida e perigosa,
É no pôr do sol
Que a natureza troca a guarda.

Podendo, dessa forma,
Tudo acontecer.
Não há guardas, não há regras.

É o dia que fica.
É a noite que chega.
É o imponderável que se apresenta.

Invejo a coragem da dor concedida,
Quase sempre nessa fração de tempo,
Pelos grandes compositores.

Sobretudo do samba de alma negra,
que fazem dessa dor,
E dessa troca de turno,
Seu momento de anarquia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Momento de desequilíbrio

Desequilibrei, eu sei.

Perdi meu prumo.

Sai do eixo.

Me desorganizei.



Estado que me faz perder,

o que tenho de melhor:

O meu olhar, olhar meu.

De me olhar. Me desvendar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Catarse hidrográfica


Quando o silêncio explode.
Diante do véu rasgado,
E dos sonhos dilacerados,
Surge, no meio de tudo,
A ausência.

Afiada e cortante,
Pulsa forte na via inversa,
Bate de fora para dentro.
O coração que respalda a vida
Bate dentro, impulsiona fora.
Bate saudável, bobeia vida.

E na insistência do silêncio
Da ausência do som, da vida
Correm como rios,
Emaranhados de rios,
Que insistem habitar
Minha face.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ASSIM

Veio-me uma imagem, minha, novo
Nos devorando pelos cantos do Rio

Pude nos ver bem mais velhos
Sentados na varanda da nossa casa
Com nossos filhos
Quase pude tocar em tudo

Fui tomado por uma compreensão
Percebi a verdadeira razão de existir
Eu nasci pra viver com você

É triste quando o amor não basta
Mas é incrível
Quando esse mesmo amor
Atravessa o tempo, envelhece junto

Simples, assim, tão simples. Tão nós.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carta de Adeus


Minha vida, minha nova vida
Aprender com os sorrisos e as dores
A cada hora, em qualquer lugar
Assumir o novo sem deixar o resto

Diante do que me foi possível
Hoje véspera de amanhã, digo
Escolhi o nosso amor, repetidas vezes
Através do corpo, do coração e da minha alma

Quero que saiba, sem arrependimentos
Que me doei como nunca antes
Enfrentei medos, iluminei sombras
Desejei ter você para sempre

Mas prometo carregar comigo
A lembrança de uma mulher
Jamais antes vista por esses olhos
Que agora choram

Hoje véspera de amanhã
Confesso e me preparo para o novo
Mesmo sem tê-lo desejado
Uma única vez sequer

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mais um dia


Quando a noite chega
E eu adormeço
Meus sonhos chegam
Minhas dores desaparecem
Mas é nas manhãs
Quando abro meus olhos
Que percebo que tudo voltou
Que na verdade não se foram
E que terei mais 24 horas
De convívio, de cuidado
Minhas feridas estão expostas
E minha absolvição
Ainda está por vir


Em uma pausa de mil compassos (Paulinho da Viola), 
me aproprio dessa voz (Philippe di Bosgo):

“Vasculhei minhas memórias,
muitas vezes no silêncio da noite,
e comecei a me reconstruir”

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Meus erros e acertos

Abro mão das minhas recordações
Fotos, ingressos, lugares
Até mesmo do ato de lembrar
De sentir saudades

Quero ficar puro, recém-nascido
Preparar-me pra receber o novo
Fazer escolhas, intensificar

Minhas prioridades romperam
Minhas dores, preciso cuidar
Guardar o pouco que tenho
Transformar em novo, em muito

Quero a luz de um novo dia
Quero palavras doces, uma mão amiga
Um colo com pegada de mãe

Quero pode ser seu
Sem jamais deixar de ser eu
Quero cometer erros
Sem estar, necessariamente, condenado

Quero que venha o novo
Que me tome por inteiro
E que transforme erros e acertos
Na precisa visão de quem sou de fato

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

TROCA DE TURNO


Tantas respostas que tenho
Tantos equívocos que vejo
Meu silêncio é tudo que devo

A verdade em formato de palavras
Pula dentro de mim a procura de ar
Quer ganhar o mundo, alcançar seus ouvidos

Meu grito, não contenho quase
Lágrimas, nem se quer possuo
Época de seca, serrado

Diante dessa foto
Começo a me despir, para poder me despedir
É o “velho”, dando lugar ao sonho novo

... e que venha o tempo!

TIRO NO PÉ

Transbordaste por todos os lados
Em retirada violenta, partiu
Sem medo de romper
E na busca de ter razão
Perdeu-se, tornou-se vulgar

Seus limites ficaram ainda menores
Suas dores, agora guardadas, irão mofar
Suas origens virão te assombrar
E você apoiada nesse ombro?
Pequeno ombro que nem pé tem

Em um só click, um só registro
Ficou a sombra de muitos
Apagou cada cor de natureza registrada
Cada momento vivido, muitas fotos

E ao olhar para o lado
Esse novo ombro que verá
Trará-te a ausência de mim
Do meu cheiro, do café que fiz
Do sorriso ao te ver mais uma vez

E apoiada por esse e muitos outros
Quantos ombros desejar
Nunca irá me encontrar
Nem a sombra do que fui
Muito menos o amor que te dei

... que venha o tempo!

quarta-feira, 2 de maio de 2012


SER POETA

Queria ser poeta
Ter acesso ao detalhe
Poder compreender melhor
O amor que não respira
A dor que movimenta
Uma letra que parece minha
A angustia que parte
A dor que fica e que é minha

Quando a esperança finda
Carrega consigo o desejo de querer
Onde mora a ansiedade de viver
Sem esperança não há desejo
Sem desejo não há ansiedade
Resta a dor que é legitima
E que me faz lembrar
Do que fui, do que sou
Do que serei transformado
De você e de mim

terça-feira, 1 de maio de 2012


AUDIÇÃO

Gosto dos momentos felizes
Mas não temo em perdê-los
Faço dos pensamentos
Meu lugar de conforto
Minha cama macia

Quando não temos para onde ir
A quem recorrer
Medimos nossas perdas
De forma terrível
Injusta e precária

Um momento não perpetua jamais
Meus pensamentos são meus
Minhas dores do mundo
E o que vou fazer
A vida ira me dizer

segunda-feira, 30 de abril de 2012


E quanto a isso, não há o que fazer!

Não tenho medo da morte
O que temo é que o meu tempo
Não seja o tempo que desejo
Que ele seja o tempo concedido

Não tinha medo de te perder
O que temia era ver você partir
Antes de tudo que tínhamos
Não ter crescido tudo que podia

Não tenho medo do amanhã
Sei, porque posso ver no que vivi
Traço de quem nunca desistiu
Nem na dor, nem do amor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

(necessárias) PALAVRAS


Demorei pra entender
Que você fica sentada atrás da mesa
Imobilizada pelos seus monstros
Incapaz de perceber quem sou

Na tangente do que deveria fazer
Impõe aos seus soldados
O front, onde você nunca está
Seus medos são maiores que seus sonhos

E na ausência das suas possibilidades
Paralisada e voraz, comanda, em retirada
O que pra você representa, equivocadamente
Atitudes disfarçadas de escolhas

Mas para mim, só eu sei
Você também, quando apaga as luzes
E finge dormir o sono dos justos
Não passa de um General com o “cú na mão”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resposta..


Nesse momento? Estou bem!
Ouvindo minhas músicas
Bebendo qualquer coisa
Pensando devagar

Como no vai e vem das marés
Existem horas que não passam
Tempos que não chegam
Dias que não vão

Teu cheiro foi embora
Teu sorriso não sorri pra mim
Nossos beijos,
E os abraços de pé.

Vou e volto
Parto sem ter ido
Não sei o que é raso
Nem tão pouco permitido

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MANHÃS

Nessa manhã que precede
De forma urgente,
Meus maiores desejos,
Fui tomado por inteiro
Que minha estrela guie os meus passos.
E que meu olhar não perca o foco,
E nem a direção que devo continuar olhando.
E que ao amanhecer, outra vez,
Meu coração possa repousar,
Acreditando sem titubear,
Que sempre irão existir motivos novos,
Mesmo que já vividos,
Para que se possa sorrir e ser feliz.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MANTRA


Eu quero paz, eu quero o canto,
Eu quero a semente, a poesia e o mar.

Eu quero tudo novo, e tudo outra vez
Eu quero dançar, sorrir e brincar.

Eu quero a escolha, eu quero a semente
Eu quero ir pra poder voltar.

Eu quero a visão e a cegueira
Eu quero a fala, a luta e uma mulher.

Eu quero muito e quero pouco
Eu quero dormir e acordar pra te beijar.

Eu quero tudo e quero você
Quero que volte com vontade de ficar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SÓ HAVIA VOCÊ


Meu amor foi flechado pelo passado.
Ficou pequeno diante de um tempo,
Maior que ele mesmo. Mesmo não sendo.

E na manhã de luz clara e mesa posta,
Foi embora sem dar um beijo.
Um beijo derradeiro.

E no silêncio da tarde que chegou,
Sentado na mesa do almoço sem pratos,
Pequei um copo e encontrei meu rosto.

E nesse copo marcado pelo último gole
Que sua boca, pintada, deixou,
Só havia um rosto. Não havia você.

E na mesa vazia, com o copo assinado,
E no silêncio deixado pela sua partida,
Fechei meus olhos e encontrei você.