segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Gente | Mente

Ah se pela mente
Mais do que de repente
Houvesse a chance
Da gente ser diferente
Com menos dor
Cheiro de rosa liquidificador

Ah se pelas redes
Ruas, vielas e corredor
Pudéssemos encontrar com gente
Pura feira livre de dor
Sem ranço ou faca que corta
Sem vida futura cheia de mágoa

Ah se não houvesse se
Medos, sentidos alterados
Meias verdades, inventos
Que a realidade fosse agora
Sem meio silêncio, amor eterno
Contato íntimo sem lamento pudor

Se houvesse gente que não mente
Eu seria regente da minha história
Sem medo que outrora
Suas mágoas e dores
Viessem ofuscar as cores
Do amor que lhe ofereço agora

Banco de Cascalho (ou kuru'mba)

Não adianta perambular
pelos 4 cantos do mundo.
O mundo é redondo,
nele não há cantos.
Mas existem recantos,
e poesias que canto,
que embalam meus sonhos,
e me fazem existir.

Cara metade sou eu,
um transformado em dois.
Quando aqui cheguei,
não havia vizinhos.
Minha casa era redonda.
O dia partia para a noite chegar.
As mares secavam para depois,
poderem transbordar.

As verdades
sempre podem mudar.
Nesse mundo que muda,
sou feito de ciclos.
Sou feito de sonhos e luzes difusas.
Cheguei aqui para ficar,
para sorrir e para chorar.
Com você por perto,
ou pra lá de Corumbá.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Meu pássaro que voou

Pela primeira vez
Posso ver a dor, toca-la
Marcas assinadas em meu braço
Por alguém que me amou
Materializada, Inteira a dor
Num ondular de vai e vens, envenenar
Que chove por horas convívio sem flor
Se faz a paz, apagam-se as velas
 
Nesses dias em que a dor me serve whisky
Essas marcas diminuem e quase partem
Esvaindo-se pelo punho que aflora
Em noites que outrora não dormi
Mas nos dias em que estou só
Minha dor se faz presente
Toma espaço, se avermelha
Nas feridas deixadas por um beija flor


Eu escuro

As verdades são melhores vistas
No escuro do silencio da casa
Na coragem que nasce
Da urgência da minha fala

Quando a noite acaba
Me despeço de quem pude ser
Nas horas embriagado
Em que pude ter você

Do que sei, do que pensei
Que um dia daria pra ser
Sei que fui maior do que pensei
Me tive assim, sempre com você

Mas agora que nada restou
Continuo a ficar no escuro do quarto
Em que mora aquilo que tudo sou
Melhor de mim, melhor que te dou

sábado, 10 de agosto de 2013

Projeto interrompido

(da série olhar de filho)

Vejo apenas minha face
no espelho em que te olho.
Tua ausência se completa
no silêncio que restou. 

Reflexo um tanto torto
do que sou eu sem você,
nesse apartamento decorado
com as cores do teu gosto. 

Palavras ecoam no silêncio
que se quebra, apenas,
pelo vai e vem dos carros
da avenida ao lado.

Penso nos meus pés
que tropeçam
nos cacos que encontro
espalhados pela casa. 

Beleza já não resta mais.
Já não vivo com conforto,
e não encontro o teu corpo
nos lençóis da minha cama. 

Nunca fui inteiramente eu,
restando apenas o meu choro
nesse mundo sem sentido,
nesse tempo que se foi.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sigo encontrando

Documentos que registram
tempos atrás,
que agora me parecem
tarde demais. 

Cartas, fotos, livros, vinhos
e muito mais.
Conta gostas de um tempo,
um tempo que não volta mais. 

Lembranças líquidas,
que mancham, diluem
tudo aquilo que quis,
tudo aquilo que fiz. 

Andar sobre pés,
insubordinados pés,
que buscam se curar,
que buscam não mais encontrar.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Me libertar

Devo caminhar e experimentar
O destino que chega, que se revela
Que traz sentido, expõe motivos
Atravessa o tempo e me faz melhor 

Devo negar a morte, não me acovardar
Não me furtar dos desejos legítimos
Das histórias, das pegadas marcadas
Aproveitar a luz do fim da tarde e sonhar 

Devo acreditar, me reinventar
Não contar com o amanhã e apostar
Sem ter que temer, poder gozar
Sem garantias: sorrir e amar 

Devo discernir, me afastar
Do equívoco alheio, que não é meu
Que passa e repassa uma vida inteira
Nem sempre sua, uma vida dura 

São raízes fincadas em superfície crua
De terras secas em constante luta
Que se debatem sem saber ao certo
Pra onde ir, de onde partir 

Devo ter sabedoria, me apropriar
Da sorte dos que ainda vivem
Que abrem o peito em noite de lua
E que, assim, perdoam por sabedoria

Naquele Momento

(da série olhar de filho)

Vi a fraqueza em seus olhos, você nada mais sabia.
O sol alto como desafio,
decisões a serem tomadas,
você não falaria.
 
Nos seus movimentos já se via fuga.
Questão de tempo, te veria correndo.
O que restou da tua ausência?
livros antigos, sentimento de enjoo.
 
Preso num cotidiano sem sentindo,
andando como se não mais existisse,
e no meio do choro não achei teu sorriso.
Não senti teu cheiro.
 
Papeis em branco foi o que encontrei.
Poesias não nascidas de um amor que se foi.
Beijo a mão do tempo e peço que não me mate,
que me traga um novo sorriso,
um sonho novo que me faça sorrir.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Pensar sem corrimões .. olhar rejuvenescido, potencializado: Olhar de filho!

Pude ver naquele momento a fraqueza em seus olhos. Você nada mais sabia. O sol estava alto no horizonte, com o desafio de um dia inteiro pela frente. Alguma decisão deveria ser tomada e, no entanto, eu tinha a certeza da sua incapacidade em falar o que era necessário. Nos seus movimentos já se via a fuga. Não demoraria o momento em que te veria correndo e, mesmo assim, alegraria até o fim, você que ainda estava ao meu lado. Mesmo com a constatação de que naquele ambiente, eu era o único. Não esperava outra atitude. Algumas pessoas não tem a capacidade de ser menos de que a expectativa, e assim sendo, acabam sendo muito menos do que o esperado. É sinal de fraqueza se achar tão bom a ponto de não se permitir magoar o outro, quando a sua própria vontade não vai de encontro a do tal outro. Porque com essa desesperada fuga nada pode vir de bom, nada que acrescente. O que me restou da tua ausência, foi uma dúzia de livros antigos, além claro, daquele sentimento de enjoo perante o cotidiano sem sentido de toda essa estirpe robótica dos dias de hoje. Teria eu a capacidade de entrar no automático, e sair por aí andando como se não mais existisse? Ou talvez eu pudesse me matar de trabalhar até não dispor mais de um cérebro... No meio do meu choro, de minhas lagrimas, não achei teu sorriso. Nem tua boca e nem teu cheiro. Papeis em branco foi o que encontrei. Poesias não nascidas esperando para descrever o amor que queria viver com você. Mas agora que não disponho mais dessa possibilidade, cabe amassa-los em pequenas bolas e joga-los fora, como qualquer homem magoado faria - além do álcool, é claro. A filosofia não me parece digna... Vem de um mundo diferente e superior. Vem das bocas dos deuses clássicos e das lindas musas de todas as épocas revestidas de ouro. Se não me cabe mais o que antes tinha a certeza de ver no horizonte, beijo o tempo, esperando que ele não me mate. Esperando que me traga o que sonhava viver contigo. Vejo apenas minha face no espelho em que te olho. Tua ausência se faz completa e tudo que fica - nesse apartamento decorado com as cores do teu gosto - é um reflexo um tanto torto do que sou eu sem você. Palavras ainda podem ser ouvidas, ecoando num silencio quebrado apenas pelos carros na avenida ao lado. Ficam pela casa os cacos perdidos de um projeto interrompido. Como posso ter construído cada pedaço meu, pensando apenas em você? Agora já não resta mais beleza alguma. Vivi sempre tranquilo, sabendo do conforto que sua presença - que julgava eternamente fixa - me traria em todos os dias de minha existência. Eu, sempre vivendo pela metade. Nunca fui inteiramente Eu. Desde o dia em que me emocionei ao ver o contorno do sol, revolvido pelo azul gasoso do céu, a vida me parece completamente sem gosto. Ao ver refletido todo meu espectro emocional naquele simples nada, chorei como uma criança que acorda perdida nesse mundo sem sentido, o primeiro choro magistral, o choro dos vivos. Se ao chegar aqui os bebes se colocam a chorar, já se promete naquele exato momento, que a estadia não será agradável, pois caso fosse, os bebes nasceriam dançando e cantando. Mas tem algo, indistinguível nessa nuvem de poeira, que atrai os sentidos dos homens que sentem, dos homens que "pensam". Estes correm com seus cérebros sobrecarregados de vida, muitas vezes desesperados e loucos, mas ao acordar, sabem em algum lugar de si mesmos, algo que nem mesmo podem explicar. Houve momentos em que o simples contemplar do barulho ensurdecedor das ondas do mar, explicaram muito mais do que naquele momento poderia sequer ser imaginado. Ao entorno desses homens estranhos, mais homens estranhos, repousando num tipo distinto de estranheza, diferente da dos primeiros, algo infinitamente mais grotesco. Perdidos entre as horas e os pequenos problemas da vida padrão, aqueles que se emocionam ao ver o brilho do sol não entendem como podem os que dormem, não verem aquilo que pra eles é tão gritante. Ó meu caro, se agora as lagrimas começam a correr pelo meu rosto, não é por estranhamento aos tais "sonâmbulos", mas por amor a eles. Se a irritação dos "nobres de espirito" chega a abalar o equilíbrio deles, é por puro desentendimento. Tal categoria de homens tem em sua amplitude de visão, a gênese de sua cegueira. Querem o agora, pois o futuro ainda não é, e o passado não os contenta. Não querem saber da cor das toalhas, nem dos carros cada vez mais velozes, querem apenas aquilo que os relembrem que o "mundo" não é só a eterna comedia em que se veem diariamente. Um certo companheiro -desses que vive por aí, meio angustiado, meio louco, desses que olha pra formigas com um olhar eterno e pulsante - passa suas horas de manipulação escrevendo pequenos textos espontâneos, vomitados por uma necessidade de SER. Em tais textos estão contidos olhares que ratificam aquilo que ele anda buscando, mas que não acha: o SER - dizem que tal estado existe, mas poucos foram os momentos em que se teve certeza disso. Em sua contemplação do SER, que raramente vê, tudo que não É o incomoda. O estado padrão marcado pelo não SER traz a superfície de sua mente que É, uma silenciável questão: estamos vivendo - ou tentando viver, na medida do possível - entre cadáveres já apodrecidos, pessoas já há muito mortas, sepultadas em sua própria pequenez. Mas os humanos solares que as vezes olham os mortos de cima, logo lembram que não se encontram em cima, porem, inacreditavelmente embaixo. Pois sua posição inferior é não verdade toda a sua superioridade. São duros e implacáveis com eles mesmos, se jogam no lodo da existência, pois sabem que toda a "luz" (existência-tudo), surge das "trevas" (inexistência-nada). Alguns deles, com egos mais inflados e conceitos de si mesmo um pouco maiores, se fecham ao rebanho, calam-se porque não aguentam mais. Perderam a paciência, sentem pena, pois no fundo se acham melhores - há alguém que possa culpa-los? São seres sofridos, existem onde a inexistência é o normal. No fundo sabem que não são melhores. Alguns cogitam alienação, automatização, mas sabem que NAO possuem essa escolha. Se tornar robô não é e nunca será opção, mesmo que mais fácil. Cabe aos "solares" mais "leves" - mesmo com toda a carga que também carregam - continuar com as palavras amargas que trazem a doçura para aqueles que vivem numa eterna preguiça mental. É duro conviver com gente que busca o "paraíso" fora de si. Mas enquanto houver a brisa e o sol matinal, a noite estrelada e o vermelho pulsante do amor-paixão, os "solares"- os verdadeiros Cristos tem algo pelo que lutar. Continuemos irmãos, lutando pelos nossos paraísos individuais - nos quais ninguém pode entrar, mesmo que possamos entregar-lhes flores recém colhidas - polindo nosso interior IMPERECÍVEL, sabendo que carregamos verdadeiras palavras de amor dentro de nós. Amem-se a si mesmo, por isso, cultivem-se, mas NAO se esqueçam de entregar as flores que brotam do interior de vocês mesmos. Os homens, ao contemplarem sua própria fraqueza, fundam a sociedade, uma tentativa de remédio paliativo para toda a insegurança humana. É de se esperar, portanto, que eles lutem com toda a energia que lhes é destinada, contra aqueles que nascem pra mudar o estado inerte em que se mantem os covardes por trás da mascara CIVILIZAÇÃO.

"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….” Nietzsche

domingo, 7 de julho de 2013

Pele que habito

Qual o motivo de reagir,
se o instante antes
dura somente um instante,
não a vida inteira?

O que duraria,
além da própria vida,
que dura seu tempo inteiro,
parado ou na correria?
 
Seria os sonhos, os sorrisos,
nossos desequilíbrios.
O que duraria além da vida,
o teu, o meu odor?
 
O que não é visto,
que não é percebido,
das quais não me visto,
poderá ser ou não!
 
Me visto daquilo que sinto.
E Invisto na procura de roupas,
nesse enorme brechó
que a vida se transformou.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Dor que não se vê

Palavras escritas todos os dias,
nas horas lentas desde o sol nascer.
E hoje, já algum tempo e no dia seguinte,
fujo do silêncio vomitando poesias.

Dentro de mim mora um mundo de magoas,
que em certos dias dificulta respirar.
E me pego pensando no mundo que me habita,
que invadiu meu corpo como se fosse seu lar.

Ela não sabe o mal que me fez, a dor que causou.
Feliz dela que me mata sem saber.
Que prefere o cultivo da visão turva,
da falta da razão, da verdade oculta.

Todo pioneiro é um herói fracassado,
há de ter exageros para ser o primeiro.
Mas ela não sabe, ela não sabia,
e nem sei, ao certo, se saberá um dia.

Na mão do tempo


De você não quero nem as lembranças
de um tempo que não existe mais.
Nunca existiu.

Um ser atormentado e fantasiado,
disfarçado de alguém que nunca foi.
Nunca será.
 
Em um instante a verdade emergiu.
Num descuido a mascara caiu.
E assim, em plena luz do dia,
em preto e banco. Sem cor.
 
E nas marcas deixadas,
transformando-as em mapa, caminho e direção,
passo a orientar o meu traçado
na busca da verdade e da minha redenção.

E as feridas? Na mão do tempo. 
O que peço? Rezo.

Salve São Jorge
Salve Jorge
Salve essa alma

Só não vou dizer amém. Não mais.

terça-feira, 26 de março de 2013

O som do coração


Pois é, vai entender
os caminhos do coração.
Assim do nada, grita
o nome de quem o possui.

Como numa orquestra,
no som do coração,
encontro a harmonia
que preenche meu silêncio.
Encurta a distância.
Me traz você.

Nessa partitura,
encontro mais, encontro amor,
encontro paixão, carinho,
encontro parceria.
Encontro até a paz.

Paz que insiste em me deixar,
em tempos duros com menos cor.
E vivo através dele meu presente.
Vou de encontro ao futuro.
Passo a compreender, melhor, o que vivi.

Nessa musica composta por nós,
(maestro e maestrina)
seguimos as pistas,
os rastros dos sons deixados
por nossos corações.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A minha chegada

Diante do agreste vocal
que fui tomado,
na enxurrada de emoções,
afogado, minha fala secou.

Vou represar minhas emoções,
dar vazão ao silêncio,
cuidar das feridas,
e acolher minha paralisia.

Paraplégico de mais possibilidades,
passo a acreditar no repouso.
Imponho isso a minha alma,
transitoriamente em frangalhos.

Da visão corrompida, brota:
A reza por um parto, uma ressurreição.
O inicio que parte do fim.
A chegada que vem antes da partida.

E sigo, aclamando pela ordem perdida.
Pela partida da ótica do caos instalado.
Do saber sem fome, mas sedento.
Da engrenagem corrompida, paralisada.

E na crença da cura,
do dia que está por vir,
no colo de quem amo,
aguardo, ansiosamente, por mim.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Navedevagar

Eu já fui temperamental,
já fui genial,
eu já fui medíocre.

Eu já fui gente boa,
já fiquei de bobeira,
Eu já fui barraqueiro.
E andei pelos céus,
dancei pelos mares,
e fui bailarino.

A verdade é que percorri muitas milhas,
já vivi muitas intrigas,
Já amei ao luar.

E no passar das estrelas,
entre o céu e laranjeiras,
eu vivi de um tudo e mais.

E sentado na mureta,
onde a terra toca o céu,
no limite dos meus tempos,
meu passado, meu presente,
mesma coisa e diferente,
continuo a navegar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Inveja branca e invertida


Gosto da vida,
Das manhas, das tardes
E das noites.

Tenho o olhar atento,
Dentro desses tempos,
Para a hora que o sol se põe.

De forma rápida e perigosa,
É no pôr do sol
Que a natureza troca a guarda.

Podendo, dessa forma,
Tudo acontecer.
Não há guardas, não há regras.

É o dia que fica.
É a noite que chega.
É o imponderável que se apresenta.

Invejo a coragem da dor concedida,
Quase sempre nessa fração de tempo,
Pelos grandes compositores.

Sobretudo do samba de alma negra,
que fazem dessa dor,
E dessa troca de turno,
Seu momento de anarquia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Momento de desequilíbrio

Desequilibrei, eu sei.

Perdi meu prumo.

Sai do eixo.

Me desorganizei.



Estado que me faz perder,

o que tenho de melhor:

O meu olhar, olhar meu.

De me olhar. Me desvendar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Catarse hidrográfica


Quando o silêncio explode.
Diante do véu rasgado,
E dos sonhos dilacerados,
Surge, no meio de tudo,
A ausência.

Afiada e cortante,
Pulsa forte na via inversa,
Bate de fora para dentro.
O coração que respalda a vida
Bate dentro, impulsiona fora.
Bate saudável, bobeia vida.

E na insistência do silêncio
Da ausência do som, da vida
Correm como rios,
Emaranhados de rios,
Que insistem habitar
Minha face.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ASSIM

Veio-me uma imagem, minha, novo
Nos devorando pelos cantos do Rio

Pude nos ver bem mais velhos
Sentados na varanda da nossa casa
Com nossos filhos
Quase pude tocar em tudo

Fui tomado por uma compreensão
Percebi a verdadeira razão de existir
Eu nasci pra viver com você

É triste quando o amor não basta
Mas é incrível
Quando esse mesmo amor
Atravessa o tempo, envelhece junto

Simples, assim, tão simples. Tão nós.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carta de Adeus


Minha vida, minha nova vida
Aprender com os sorrisos e as dores
A cada hora, em qualquer lugar
Assumir o novo sem deixar o resto

Diante do que me foi possível
Hoje véspera de amanhã, digo
Escolhi o nosso amor, repetidas vezes
Através do corpo, do coração e da minha alma

Quero que saiba, sem arrependimentos
Que me doei como nunca antes
Enfrentei medos, iluminei sombras
Desejei ter você para sempre

Mas prometo carregar comigo
A lembrança de uma mulher
Jamais antes vista por esses olhos
Que agora choram

Hoje véspera de amanhã
Confesso e me preparo para o novo
Mesmo sem tê-lo desejado
Uma única vez sequer

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mais um dia


Quando a noite chega
E eu adormeço
Meus sonhos chegam
Minhas dores desaparecem
Mas é nas manhãs
Quando abro meus olhos
Que percebo que tudo voltou
Que na verdade não se foram
E que terei mais 24 horas
De convívio, de cuidado
Minhas feridas estão expostas
E minha absolvição
Ainda está por vir


Em uma pausa de mil compassos (Paulinho da Viola), 
me aproprio dessa voz (Philippe di Bosgo):

“Vasculhei minhas memórias,
muitas vezes no silêncio da noite,
e comecei a me reconstruir”

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Meus erros e acertos

Abro mão das minhas recordações
Fotos, ingressos, lugares
Até mesmo do ato de lembrar
De sentir saudades

Quero ficar puro, recém-nascido
Preparar-me pra receber o novo
Fazer escolhas, intensificar

Minhas prioridades romperam
Minhas dores, preciso cuidar
Guardar o pouco que tenho
Transformar em novo, em muito

Quero a luz de um novo dia
Quero palavras doces, uma mão amiga
Um colo com pegada de mãe

Quero pode ser seu
Sem jamais deixar de ser eu
Quero cometer erros
Sem estar, necessariamente, condenado

Quero que venha o novo
Que me tome por inteiro
E que transforme erros e acertos
Na precisa visão de quem sou de fato

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

TROCA DE TURNO


Tantas respostas que tenho
Tantos equívocos que vejo
Meu silêncio é tudo que devo

A verdade em formato de palavras
Pula dentro de mim a procura de ar
Quer ganhar o mundo, alcançar seus ouvidos

Meu grito, não contenho quase
Lágrimas, nem se quer possuo
Época de seca, serrado

Diante dessa foto
Começo a me despir, para poder me despedir
É o “velho”, dando lugar ao sonho novo

... e que venha o tempo!

TIRO NO PÉ

Transbordaste por todos os lados
Em retirada violenta, partiu
Sem medo de romper
E na busca de ter razão
Perdeu-se, tornou-se vulgar

Seus limites ficaram ainda menores
Suas dores, agora guardadas, irão mofar
Suas origens virão te assombrar
E você apoiada nesse ombro?
Pequeno ombro que nem pé tem

Em um só click, um só registro
Ficou a sombra de muitos
Apagou cada cor de natureza registrada
Cada momento vivido, muitas fotos

E ao olhar para o lado
Esse novo ombro que verá
Trará-te a ausência de mim
Do meu cheiro, do café que fiz
Do sorriso ao te ver mais uma vez

E apoiada por esse e muitos outros
Quantos ombros desejar
Nunca irá me encontrar
Nem a sombra do que fui
Muito menos o amor que te dei

... que venha o tempo!

quarta-feira, 2 de maio de 2012


SER POETA

Queria ser poeta
Ter acesso ao detalhe
Poder compreender melhor
O amor que não respira
A dor que movimenta
Uma letra que parece minha
A angustia que parte
A dor que fica e que é minha

Quando a esperança finda
Carrega consigo o desejo de querer
Onde mora a ansiedade de viver
Sem esperança não há desejo
Sem desejo não há ansiedade
Resta a dor que é legitima
E que me faz lembrar
Do que fui, do que sou
Do que serei transformado
De você e de mim

terça-feira, 1 de maio de 2012


AUDIÇÃO

Gosto dos momentos felizes
Mas não temo em perdê-los
Faço dos pensamentos
Meu lugar de conforto
Minha cama macia

Quando não temos para onde ir
A quem recorrer
Medimos nossas perdas
De forma terrível
Injusta e precária

Um momento não perpetua jamais
Meus pensamentos são meus
Minhas dores do mundo
E o que vou fazer
A vida ira me dizer

segunda-feira, 30 de abril de 2012


E quanto a isso, não há o que fazer!

Não tenho medo da morte
O que temo é que o meu tempo
Não seja o tempo que desejo
Que ele seja o tempo concedido

Não tinha medo de te perder
O que temia era ver você partir
Antes de tudo que tínhamos
Não ter crescido tudo que podia

Não tenho medo do amanhã
Sei, porque posso ver no que vivi
Traço de quem nunca desistiu
Nem na dor, nem do amor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

(necessárias) PALAVRAS


Demorei pra entender
Que você fica sentada atrás da mesa
Imobilizada pelos seus monstros
Incapaz de perceber quem sou

Na tangente do que deveria fazer
Impõe aos seus soldados
O front, onde você nunca está
Seus medos são maiores que seus sonhos

E na ausência das suas possibilidades
Paralisada e voraz, comanda, em retirada
O que pra você representa, equivocadamente
Atitudes disfarçadas de escolhas

Mas para mim, só eu sei
Você também, quando apaga as luzes
E finge dormir o sono dos justos
Não passa de um General com o “cú na mão”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resposta..


Nesse momento? Estou bem!
Ouvindo minhas músicas
Bebendo qualquer coisa
Pensando devagar

Como no vai e vem das marés
Existem horas que não passam
Tempos que não chegam
Dias que não vão

Teu cheiro foi embora
Teu sorriso não sorri pra mim
Nossos beijos,
E os abraços de pé.

Vou e volto
Parto sem ter ido
Não sei o que é raso
Nem tão pouco permitido

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MANHÃS

Nessa manhã que precede
De forma urgente,
Meus maiores desejos,
Fui tomado por inteiro
Que minha estrela guie os meus passos.
E que meu olhar não perca o foco,
E nem a direção que devo continuar olhando.
E que ao amanhecer, outra vez,
Meu coração possa repousar,
Acreditando sem titubear,
Que sempre irão existir motivos novos,
Mesmo que já vividos,
Para que se possa sorrir e ser feliz.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MANTRA


Eu quero paz, eu quero o canto,
Eu quero a semente, a poesia e o mar.

Eu quero tudo novo, e tudo outra vez
Eu quero dançar, sorrir e brincar.

Eu quero a escolha, eu quero a semente
Eu quero ir pra poder voltar.

Eu quero a visão e a cegueira
Eu quero a fala, a luta e uma mulher.

Eu quero muito e quero pouco
Eu quero dormir e acordar pra te beijar.

Eu quero tudo e quero você
Quero que volte com vontade de ficar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SÓ HAVIA VOCÊ


Meu amor foi flechado pelo passado.
Ficou pequeno diante de um tempo,
Maior que ele mesmo. Mesmo não sendo.

E na manhã de luz clara e mesa posta,
Foi embora sem dar um beijo.
Um beijo derradeiro.

E no silêncio da tarde que chegou,
Sentado na mesa do almoço sem pratos,
Pequei um copo e encontrei meu rosto.

E nesse copo marcado pelo último gole
Que sua boca, pintada, deixou,
Só havia um rosto. Não havia você.

E na mesa vazia, com o copo assinado,
E no silêncio deixado pela sua partida,
Fechei meus olhos e encontrei você.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TRÊS TEMPOS


Coração, pulmão e rim
Meus pés, meu tronco
Cotovelo, joelho
Baço, pinico e marfim

Pensamentos muitos
Atitudes impregnadas
Reações descabidas
Olhares partidos

Quando o amor passa
O antes vira saudade
O durante torna-se dor
E o depois vira crença

CICLO


Esse frio que sinto
Que chega nas tardes, nas noites
E em muitas manhãs de segunda
Que inicia minhas semanas
Que me faz ficar entre cobertas
No silêncio do meu travesseiro

Olhos molhados em dias de inverno
Não tão abertos, não tão fechados
Mente lenta, sem sede
Que corre do presente
Lembrando do que acabou de passar
Insistentemente. Minuto a minuto

Como gotas de tempo
Torturando-me em cada pingo
Em cada suspiro dado pela tua ausência
E no tempo entre uma coisa e outra
Encontro mais tempo, e mais tempo
Infinito tempo que não para de chegar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAMINHAR


O que vem primeiro

A fé que temos

Ou o silêncio imposto

Que nos obriga a pensar

Quando o som se vai

Antes da hora desejada

Deixa um vácuo de fala

Risca o chão que pisamos

Dilacera os nossos sonhos

E no meio de quase nada

E como um mergulhador

Em apneia e fundo

O olho fecha, a mente para

E o movimento cadenciado dos pés

É a única coisa que nos sobra

TEMPO QUE SINTO

Quando a conheci

Saltava alto, descia lento

Ainda posso ver

Eu parava as horas.

Quando a conheci

Falava-me sobre a vida

Com a emoção de quem vê

O início de um novo dia

Eu ainda posso ouvir

Tempo que não passa.

Dias deram lugar a dias

Noites com muitos odores

Verdades que foram ditas

E na gangorra do porto da vida

Vejo-a partir

E com meus punhos cerrados

Sinto-me impedido de voltar a sorrir.


Até que o tempo volte a passar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VAZIO

O lado vazio, o som que chega
O lençol arrumado. A tua ausência
O seu cheiro que não vejo, não percebo
O silêncio desorganizado que grita
O outro lado da mesa. O vazio

Da pasta de dente, do fio dental
A falta do pé, do café e do jornal
Da sua varanda, do meu arguile
Do seu sorriso, dos seus dedos. Do pé
Da batida, do vinho, do brinde. De ter fé

Da primeira vez em que te vi
Do escritório. Do alto Leblon
De todas as tardes roubadas. Dos beijos
Da areia da Duna, do sol de Jeri
Saudade de tudo: do que vi e do que não vi 

REZA FORTE (curta)

"QUE SEJA FEITO A SUA VONTADE"
............................................Só não me peça para dizer AMÉM!

GAME

Nunca acreditei que éramos perfeitos
Quis aprender a conviver com as diferenças
Com os defeitos e desencontros
Quis valorizar e admirar as qualidades
Essa era minha crença, onde quis chegar

Não foi possível, fomos roubados
Perdemos-nos no meio de tanto e de tão pouco
Deixamos e partimos abandonando o que tínhamos
E hoje o que nos restou foi o que não fizemos
As lembranças de tudo que poderíamos ter feito

Venho tentando equacionar essa matemática
Que não fecha aos meus olhos turvos
Queria ter dito muito, amado mais e melhor
Tive que me despedir, aceitar um tempo errado
Compreender que agora não sou mais dois

Ando dormindo pouco para ter mais tempo
Tempo de perceber melhor o que restou
E olhando o futuro refletido no teto do meu quarto
Vejo que estou com dificuldades, que não será fácil
Mas que ainda não terminei e que tudo não será em vão

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UM TIPO DE NAVIO DE GUERRA

Minha cultura é letrada
Influência de tudo que vi
E daquilo que ainda não pude perceber

Nascem ai todos os meus acertos e erros
Tudo oriundo da mesma fonte
Nascente do rio que insiste em transbordar
Pelas minhas bordas rasas

Rio que flui e molda minhas correntes
E que me leva mesmo nas horas
Em que desejo um tronco, uma pausa

Todas as cores, correntes e serpentes
Emolduradas pelo reflexo do céu
Em minhas águas, nem sempre limpas

De certo, só que sou meu próprio barco
A deriva em minhas próprias possibilidades
Onde o que posso fazer é navegar
Afinal, sou o capitão da minha própria fragata
E isso eu não tenho como negar

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

NOVOS RUMOS

Tenho vivido um tempo menor

onde tenho visto menos

sentido menos os cheiros

falado de forma mais baixa e curta

Minha casa já não me encanta

Tenho encontrado as coisas fora do lugar

Meu “lugar” anda mudando

Tenho achado desperdício o que sei

Diante dos quarenta anos que já vivi

Tenho muitos amigos que já não bastam

Tenho tido, apesar do medo,

Vontade de ganhar o mundo

Compreendi que apesar de muito

Sou apenas mais um no meio de tantos

E apesar de tantos, que somos,

Temos feito pouco barulho

A verdade é que não tenho me emocionado

E emocionado ninguém

Minha escrita anda pobre

Minhas fronteiras andam vazias

Mas estou bem, só queria saber

Se é isso mesmo, ou se só estou

A um passo de arriscar outra vez.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

COLO

Ao invés de ser acolhido
Percebo medo nos seus gestos
Condições são impostas
Barreiras de proteção
Arames farpados que me cortam

O país das verdades não existe
Não quero ser mais um habitante
De um lugar que não existe
Densamente povoado

Eu te acolho nas suas dores
Eu te amparo, assumo o controle
Os erros e as desculpas
Peço sem temer

Percebo agora quando você fala
“Eu teria feito mesmo sem você”
Sem as minhas atitudes
Diante da sua dor

Para se amar é necessário um par
Para os anos passarem, o tempo
Para um amor sobreviver
Um dá colo para depois receber

sábado, 16 de julho de 2011

PONTO E CRUZ

Nos últimos dias venho vivendo em compasso de espera
Diante de uma promessa recebida
Aguardo ansiosamente por ela
O tempo se arrastou, as horas passaram
E até aqui nada que me faça dormir chegou

Tive tempo de sobra, pensei, pensei muito
Percebi e encontrei já nos acréscimos
Algo maior que a possibilidade da chegada
Um bem enorme diante das horas lentas
Esse jogo eu quis jogar, e pude
Só não posso mais, encontrei o limite

Meu tempo maior diante do seu tempo imposto
Aceito e oriento que siga na busca das suas respostas
Mas o meu tempo está no fim, o jogo está para acabar
Hoje é o último dia desses meus dias
Dias de espera. Contagem regressiva

Depois disso tenho muito para fazer, afinal:
Se você parar de cantar sobre coisas desagradáveis,
Estará reduzido a cantar sobre bordado em ponto e cruz.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TRIBUNAL

Manter-me calmo ereto e focado
Diante do tempo nublado
Que chegou ate aqui
Não deixar que a síndrome de abstinência
Que sinto na sua ausência
Venha contaminar, me destruir

Não importou o que falei
O que fiz ou o que fui até aqui
Fui condenado à revelia
Reflexo do seu dedo em minha direção

Todos os holofotes sobre a minha cabeça
Desvios, feridas e uma vida inteira
Apoiados nos meus ombros
Tudo responsabilidade minha

Quarta feira de um inverno rigoroso
Deitado entre o branco da areia e o azul do céu
Ganho espaço, dimensão. Respiro.
Ouço o som dos peixes
Sinto o vento na minha direção

Calmo, sento no banco dos réus
Isento, julgo todas as minhas acusações
E no último instante, me absorvo

Proponho que você abaixe o dedo
Que me ofereça sua mão
Já que a experiência é o preço da evolução
E o futuro esta ai, as estações passam
E no final, os números tendem a se igualar

segunda-feira, 11 de julho de 2011

TEMPO E AMOR

Quando se teme perder

Quando o tempo é gasto com o medo

Escolhemos, caso a perda venha,

O luto sofrido do melhor não feito

Já a dor da perda onde a entrega foi inteira

É uma dor sofrida, mas uma dor

Com cheiro de avó, de comida caseira, de café

Nem todo amor nasce para durar

Todo amor morre um dia

Mas tem amor que faz valer uma vida

Por mais que na hora da partida

Isso pareça absurdo. Amor e tempo

O amor não vive e nem morre sem o tempo

Já o tempo só passa para que o amor aconteça

REGISTRO

Eu preciso me reinventar
Eu preciso de ar
Encontrar o que tenho de melhor
Do sol e da lua
Eu preciso transpor as dúvidas
Da força que não vejo mais

Eu preciso acordar
Ficar de pé e deixar o que passou passar
Eu preciso do tempo e do vento
De todos os detalhes e artes
Do belo e do certo já que o incerto
Não estou podendo bancar

Eu preciso da caneta pra marcar com tinta
A vida que tenho que buscar
Sou emoção, paixão e dor
Minha imagem é essa
E meu nome eu não tenho como mudar

TEMPO QUE VEM

Eu quero a certeza de ter oferecido o melhor
A ausência da culpa de ter perdido alguém
A noite quieta para o tempo que vem

Quero o peito aberto, as feridas curadas
O olhar atento e força para caminhar

Quero a calmaria de uma noite dormida,
que me leve até uma manhã clara.
Quero acreditar no futuro,
desejar o presente e lembrar o que já vivi.


Quero poder me curar de um amor
Iluminar minhas esquinas
Preparar minhas fronteiras
Para quem sabe um dia
Permitir o novo chegar

sábado, 9 de julho de 2011

"LIÇÕES DE UM SOBREVIVENTE"

Desejo equilibrar os pesos
Alinhar meu futuro otimista
E o necessário olhar para o passado
Aqui e lá, ao mesmo tempo
De resto, a imagem da minha alma

Olhar de perto em um mesmo tempo
Passado, presente e futuro
Quando não lembro o passado
Condeno-me a repeti-lo
Repetição é opção, pode ser ou não
O tempo do meu poder é agora

Não devo transformar o passado
Numa bola presa a uma corrente
Transformá-lo na minha melhor pista
É colocá-lo no seu verdadeiro tempo
Passado é passado, já o futuro
É a soma de tudo isso

Aos quarenta e poucos anos
Decreto minha aposentadoria militar

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ROTINA

Às vezes o tempo de tão rápido
Vira tempestade
Tem horas que o amor de tão grande
Vira necessidade
Existe noite que de tanto pensar
Vira dia....

....Às vezes o tempo de tão rápido
Vira tempestade
Tem horas que o amor de tão grande
Vira necessidade
Existe noite que de tanto pensar
Vira dia....

Uma hora isso há de passar!

terça-feira, 10 de maio de 2011

UM NO CORPO DE DOIS

Agora passo como o tempo passa
Enxergando o silêncio da minha saudade
Que fere como se deve ferir para matar
Amante, depois amiga e por fim mulher

Nasci antes, mas lembro a partir dela
Minhas viagens, todas com ela
Meus sorrisos, todos para ela
Sinto a falta dela, sinto falta

Dos pés noturnos, das manhas
Dois corpos em um só corpo
Dos infinitos “bom dia”
Tivemo-nos de varias formas

Já rimos, já choramos
Já fomos e já voltamos
Só não havíamos partido
Éramos um no corpo de dois

DOR IGUAL

A partida de uma mãe
A traição de um amigo
A morte de um querido
Quando quem você ama vai

Dizem que a dor de um parto
Uma pedra dentro do rim
Um pecado grande descoberto
Um encanto que se parte

Momentos e dores
Lagrimas que não param
Uma neblina espessa
Na frente do olhar

Sonhos que se perdem
Histórias que viram estórias
Promessas que se perdem
Ficam no tempo, voam com o ar

domingo, 8 de maio de 2011

NESSE DIA

No dia em que percebi que você iria embora
Faltou luz na minha casa
Durante horas, no escuro, deitado, pensei

No dia em que percebi o início da sua ausência
Faltou ar, inspiração e alegria
Meu peito sem nada, durante horas gemeu

Percebi, mais do que antes, o quanto você é amada
O quanto te quis
E todas as seqüelas que a tua ausência vai deixar.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

NÃO POSSO

Não ter você na minha vida é muito ruim,
mas ter é a maneira mais segura de saber,
que eu nunca vou te ter.
Você não divide.

Permitir a sua vida, não é ser parceira.
Parceria pressupõe duas vias, troca,
entrega de dois.
Comunhão.

Eu tenho o seu amor,
mas não me vejo em você.
Não penetro, não te influencio.
Não estou ai.

Nunca serei parte de você.
O amor só vale quando há fusão,
misturas de idéias e arrepios.
Transformação a dois.

No contrário somente um se transforma,
deixando sua imagem aos poucos,
para se transformar na imagem do outro.
Isso não posso fazer.

terça-feira, 3 de maio de 2011

RENASCER

Tem horas que o grito se agiganta
Ficando maior que meu próprio peito
Nessas horas o que fazer a não ser soltá-lo

Quero que parta, que ganhe o mundo
Que me conceda o silêncio que desejo
Mas que não seja para sempre, somente hoje

Eu não entendo muitas coisas
Sentimentos confusos, amores desperdiçados
Uniões que se perdem

Nessas horas tudo para
O silêncio prevalece
E o amanhã se torna incerto

Entre o que é e o que será
Fico perdido nos confusos dias
Que precedem meu parto

sábado, 30 de abril de 2011

CAMBAR

Revezo com os meus dias, nem sempre sou igual.
Mudo com as horas, com o vento.
Dependo das luzes, dos amores.
Não costumo saber para onde vou.
Quase sempre sei de onde vim.
Mudo, mudo muito. Troco a pele.
Procuro. Nem sempre acho.
Encontro nos detalhes. Horas lentas e a dois.
Mas é no mar que encontro o vento.
Necessário vento, que me faz mudar de direção.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DIAS NUBLADOS

Inquietude. Sinto meu peito.
Mãos tremendo, olhos ardendo.
Não percebo que esteja numa fase insegura,
Sei que atravesso um momento seguro,
Sabendo o que quero e o que não quero, mais.

Decifro, dissecando minhas dúvidas.
Reflito cada porquês de não encontrado.
Tento não temer o que estar por vir
Tendo entender os danos que irei possuir.

Acredito que possa minimizar as mazelas.
Enfrentar, corajosamente, as feridas.
E sair, no final, vivo, outra vez desse tempo.

Nem sempre pude ter o sol nos meus dias,
Mas ele nunca deixou de voltar, de me perdoar.
Sei que ele é o que de melhor recebi da vida,
Que representa minha luz, minha sorte,
Meu destino com todas as suas esquinas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

MUDOU...

Tava eu por ai......

(de bobeira e ela veio, melhor, voltou.
E eu agora aqui de cara, de bobo,de feliz).

......agora to por aqui!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PASSAPORTES

Tenho vivido momentos confusos,
sentimentos há anos contidos,
chegam por todos os lados.
Uma imigração de sentidos.

Monto um posto avançado,
verifico cada identidade,
encontro minhas fotos.

Começo uma faxina.
Passo por todos, identifico.
Tento manter o controle,
aprender com cada sentimento,
antes detido.

terça-feira, 29 de março de 2011

TEMPO DE MUDAR

Eu preciso reencontrar meu entusiasmo
Recarregar minhas energias
Olhar de frente minha imagem
Anular, com calma, meus medos

Eu preciso dilacerar meus limites
Transpor minhas dificuldades
Reorganizar meu tempo
Ir de encontro ao que vai vir

Eu preciso retornar antes de partir
Buscar uma segunda chance
Não desrespeitar o que aprendi
Sentir mais, me permitir

Mesmo sabendo o que sei
Tendo tido tempo para aprender
Nem sempre faço o que deveria fazer
Me perdendo mesmo sem sair do lugar

quarta-feira, 23 de março de 2011

FRONTEIRA

Precisei me afastar dois passos
Abrir uma nova perspectiva
Respirar

Precisei recuar tudo que sabia
Criar novas verdades
Dialogar

Precisei domar a minha ira
Tornar-me mais calmo
Melhorar

Deixei de precisar fugir de mim mesmo
Permiti-me quando respirei
Cresci nos diálogos que tive
Renasci.

terça-feira, 22 de março de 2011

GEMINIANO

Estar no mundo é algo tenso,
pelo bem e pelo mal.
Amar, trabalhar e ser,
são atividades externas
que dificultam minha respiração.

O mundo me parece um lugar estranho,
onde ser feliz ou triste
é uma questão de tempo.
E o tempo não é algo com que flerto.

Estranho quase tudo que vejo,
e não me rendo a nenhuma imagem,
nem as mais próximas.

Acredito que entre as vírgulas dos meus dias
estão todos os motivos
que me levam ao delírio ou a fuga,
sem ordem certa.

Já passei do tempo de acreditar
ou deixar de acreditar.
O meu rumo, agora, é ser
o que sempre fui, mesmo sem saber.

Sou comum, sou o que todos são.
Sou o que nem eu sei e nunca saberei.
Vivo o que tenho que viver
sem saber o que vai ser.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ESCOLHAS

Nem sempre temos a noção exata
das conseqüências de uma escolha feita.
Agimos por correnteza, impulsionados
atropelamos os fatos, as evidências.

Perdemos o controle, as horas.
Sem pausa e sem silêncio,
agimos sem certeza do caminho,
de como faremos e muito menos
para onde estamos indo.

Vida moderna, mundo globalizado.
Não me importa o nome dado,
se é certo que o meu encanto,
encontro nas prateleiras do meu armário.

Vou ficar um minuto sentado,
paralisado da cintura pros lados,
cadenciar o meu ar, identificar o meu lar,
e falar para todos: meu andar é mais devagar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

OLHAR

Quando me sinto incluído
Te dou tudo, até o que não tenho
Excluído, fico pequeno, não tenho o que dar
Quero que flua, não peço. Espero
Quero assim: como fui, quero que venha
E que tenha a necessária fronteira
Entre o amor e a motivação
Meu amor cuido eu. O seu? é seu
Já sua motivação é minha, não abro mão
Como não abro da minha, ser sua
E assim seguimos andando, pacto fechado:
Perto ou longe. Percebido!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

RÓTULOS

As pessoas sentem a necessidade
De caracterizar as suas experiências
Dar nomes para as suas vivências
Atribuindo a elas um estado
De felicidade ou tristeza.

Não percebem que um momento feliz
É semelhante a um momento triste
Ambos fazem parte de um tempo fracionado
Onde de certo só a chegada de um novo tempo.

O mais importante é viver
Compreendendo que o tempo
É maior que todos os valores consumidos
E que viver não é ser feliz ou triste
Viver é viver o próprio tempo em movimento
Uma hora feliz, em outras nem tanto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

SEREI

Poucas vezes compreendo
A verdadeira razão do meu afeto
Percebo que nasci imerso
Na minha própria vontade
Onde caminho na certeza de ser a direção
Que não vejo através do meu coração.

Procuro acreditar naquilo que desconheço.
Tentando encontrar placas que me indiquem
Os caminhos, as vielas e os retornos.
Pistas onde posso encontrar e não temer
O passado que não quero mais,
Me libertando dos danos causados
Para que eu possa me curar.

Sei o que devo fazer, e não sinto medo.
Sinto a necessidade de não me acomodar.
Gosto do que tenho, mas desejo mais
Aquilo que ainda não pude me tornar.
Não sei quando, não sei onde e nem com quem,
Só sei que é uma questão de tempo, e eu serei.

domingo, 23 de janeiro de 2011

LADO A, LADO B

Nos últimos tempos
Vi de perto os nossos medos
Compreendi as tuas somas
Percorri as suas lacunas
Anotei os nossos resultados. Me interessei

Encontrei em você, nas suas atitudes
O lado oposto do que tenho de pior
Refletidos em cada sorriso que pude ver
Dos quais alguns, até, provoquei e gostei

Amei como se nunca tivesse amado
Sorri, algumas vezes, como um refém
Te desejei, tantas vezes, como ar
Te quis, te quis, te quis. O que mais?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

NÃO HÁ PADRÃO

Amar para alguns é:
Não ter o chão sob os seus pés.
Para mim é pisar forte,
é sentir o mundo sob eles.

Amar para alguns é:
Dois se tornar um.
Para mim é somar,
ser mais dois do que nunca.

Amar para alguns é:
Respeitar, não provocar.
Para mim é o canto da sereia,
perigoso e necessário.

Amar para alguns é:
O que todo mundo faz.
Para mim é o que cada um faz,
do seu jeito.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

PARA SEMPRE

Nada é definitivo, tudo é transitório.

Entre a suposta verdade feia
Prefiro acreditar na meia verdade poética
Onde é possível um amor para sempre
Onde a crença entre duas pessoas
Seja maior que qualquer questão

E quando não houver solução imediata
Que seja possível usar o tempo
Sem desperdiçar esse tempo tão caro, tão raro

Prefiro acreditar na mulher que amo
Como acredito em mim, cuidar como cuido de mim
E receber em troca tudo que seja importante

Quero acreditar em um dinamismo
Onde ambos, juntos, cresçam e se tornem melhores

Quero a mentira criada por dois e por amor
Não quero a realidade, quero o sonho
Quero amar e ser amado
Quero todo o tempo e quero para sempre.

domingo, 26 de dezembro de 2010

BIFURCAÇÃO

A ofensa é pessoal
O elogio não, coletivo
Não tenho a ponte
Não tenho o resto
Só tenho a mim
Só tenho sexo

Ficar aqui
Morada das descobertas certas
Continuar ali
Buscando, sendo alvo fácil
Elogios e ofensas
Quando o sujeito nasce assim
Opção não tem. Já amor

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RETORNO

Está estranho o meu olhar
Não sou mais o que fui
E nem tão pouco o que serei
Nessa transição dolorida
Encontro-me inserido
Garimpando dentro de mim
O que ainda me interessa
Incapaz de determinar o que quero
E acima de tudo o que posso
Só encontro pistas , lugares e pessoas
Que ainda me motivam.
Difícil se perder na metade do caminho
Quando não mais reconhecemos
A estrada que escolhemos
Quando não mais desejamos
O destino, anteriormente escolhido
O certo é não poder voltar
O que devo e vou fazer
É buscar atalhos que me levem
Ao ponto em que me perdi
Quando deixei de enxergar o que antes era
Claro, bonito e me instigava a sonhar

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

LOUCOS E FIEIS

Tem horas que meu peso
é maior que qualquer possibilidade,
que minha visão, turva, enxerga mal,
e que meu coração, acelerado, me deixa só.

Minha razão, amiga, me abandona,
e o que gosto em mim desaparece.
Se transforma em algo que nem eu aturo.
Decreto minha própria invalidez.

O tempo não tem sido capaz de alterar isso,
é fato, venho apresentando melhoras,
mas nada que mereça uma festa.
É pouco, pequeno pro que sou e quero ser.

Nessas horas não me autorizo a nada,
não exerço nenhuma função positiva,
nada que seja importante, que construa.

Minha forma de elaborar algo melhor
para que no momento seguinte,
volte a ser aquele que gosto,
e que tem gente que gosta.
Muitos. Loucos e fieis.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

NÃO HÁ CERTEZAS

O que há são desejos, momentos e escolhas.
Encontros e ajustes em um vulcão de emoções.
Um querer maior que qualquer fuga.
Um pé que encontra outro pé.
Uma palavra de carinho, arranhões.
Uma música, um show e muitas mensagens.

Tenho tido tudo, tenho tido medo.
Tenho mergulhado em mim através de você.
Tenho desejado tanto, amado muito.
Menos que minha ansiedade pede.
Mais que um dia pude imaginar.
Na medida que sempre desejei amar.

Um passado que se apresenta como novo.
Uma surpresa que supera minhas mediocridades.
Uma relação que me faz crescer, me faz viver melhor.
Um presente vindo do passado que sugere meu futuro.
Meu melhor que ao não bastar, caminha.
E caminho na certeza que caminhas comigo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

MEUS ALIADOS

Tenho aprendido que envelhecer é maravilhoso,
Já que a alternativa seria a morte.

Tenho compreendido que o tempo
me concede o próprio tempo,
onde, com ele, me torno mais leve
e capaz de esperar um momento melhor.

Tenho encontrado no meu silêncio
mais motivos do que nas falas excessivas,
onde o barulho é tudo que posso doar.

Tenho percebido a fundamental importância
de respirar entre uma reação descabida,
e o encontro do que de fato me faz crescer.

Tenho dinamitado meus medos
cada vez que não autorizo minha fuga,
acreditando que o melhor a se fazer
e manter-me, corajosamente, diante de mim mesmo.

Mais que sonhado ou vivido,
tenho compreendido o tempo e o amor,
vendo neles os meus maiores aliados.

sábado, 16 de outubro de 2010

MUTANTE

Eu vou a muitos lugares,
dentro e fora de mim.

Percorro os meus caminhos,
procurando atalhos cedidos.

Desconfio do meu destino,
sem me tornar um homem passivo.

Nunca pude exercer o luxo de parar,
minha alma é mutante.

Meu destino é incerto,
dependo do que sou motivado.

Decido ao acaso,
buscando o que me comove.

Quando minha alma grita, corro e acato.
Sou assim: Meio homem, meio paixão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Escalar e alcançar o cume de uma montanha.
Voar no tempo de Santos Dumont.
Não sofrer e mesmo assim se tornar poeta.
Tocar um instrumento utilizando ouvidos.
Sonhar sem permitir delírios.
Entender essa multidão. Para onde estão indo?

Compreender o pai antes de ser tornar um.
Cozinhar bem sem valorizar os detalhes.
Exorcizar medos sem possuir espelhos.
Morder tendo sido sempre beijado.
Ter que ter. Comprar tudo para que?

Não amar uma mãe. Origem.
Não repetir um pai. Referência.
Não se confundir com um filho. Evolução.
Sem família se tornar alguém.
Respeitar os guetos. Separar para que?

Penetrar em uma floresta.
Mergulhar, fundo, no oceano.
Respeitar o desconhecido .
Imaginar minha vida sem você.
Compreender suas atitudes. Tanta soberba para que?

EU SIGO COM ELA

Mais uma vez me vejo diante
da minha própria imagem.
Distante do que quero,
tendo menos do que desejo.

Consigo ver minhas opções:
O conforto do menos, das concessões
ou a inquietude do incerto, da busca.

Não quero menos, estou inteiro.
Sua metade não me emociona mais.
Se estou entregue, queria você inteira.

Algo maior que a minha própria razão.
Sem tempo, mais, para ajustes e medos.
Sua soberba diante do que te dou, me fere.

Se não quer, se não sabe, se não pode.
Nada disso importa mais.
Iluminei você em cada olhar que te direcionei.

Já no fim do que me foi possível,
sigo deixando para traz
algo que poderia ter sido maior.

Mas a vida segue, e eu sigo com ela.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VICE E VERSA

Gosto.
Flerto constantemente com a minha razão.
Entendo.
Dimensiono, equilibrando a minha emoção.
Sou lúcido.
Resido quase sempre por ai.

Mas só atravesso minhas pontes,
buscando lugares escondidos,
quando autorizo a ausência da minha razão.

Feito isso, me permito.
Posso examinar meus centímetros,
cada detalhe despercebido,
cada emoção, previamente, detida.

Liberto, sigo buscando momentos
onde minha razão estará, sempre,
vigiada pela minha emoção.

Ou vice e versa.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ALFÂNDEGA

Olhando de fora pra dentro,
encontro muitos fatos
que me deixam desconfortáveis.
Características que adquiri ou genéticos.
Fatores internos e externos a minha vontade.
Percorrendo, ainda, um longo caminho,
descubro, a tempo, que sou o que posso.
Que posso mais se necessário.
E que não devo desejar além,
já que mesmo eu querendo, não cabe.
Meus limites e minhas fronteiras,
existem e devem ser respeitadas.
Mesmo que isso possa mudar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MEDIDAS

Cada um tem seu tamanho, seu lugar,
Onde cabe na medida certa,
Na função, previamente, determinada por mim.

Sua proporção, ao meu discreto olhar,
Sempre me pareceu maior.
Algo além do meu tamanho.
Algo depois da minha enseada,
Do meu mar calmo, do meu lar. Escondido lar.

Mas algo muda. Seu tamanho se reduz,
Seu olhar vem me seduzindo
E sua boca me cegando.
Deve ser isso, não enxergo igual, não mais.

Meu futuro foi alterado,
Os meus riscos aumentados.
Continuo com meu olhar discreto.
Que vê, agora, algo menor,
Com mais proporção, possibilidades.

Continuo com medo das medidas,
Mas não posso mais negar o vento.
Devo e vou, com medo,
Sair da minha enseada,
Do meu mar calmo, do meu lar
E do meu, não mais, escondido lar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

CICLO INVADIDO

As idéias estão chegando por todos os lados.
Uma diarréia, onde não consigo parar.
Parar de verbalizar o que não vejo,
mas claramente sinto.

Sinto a energia das palavras riscadas.
Que derivam das minhas raízes,
por cada centímetro de tecido vivo.

E vivo. Sigo na direção da morte, lentamente.
Não tenho pressa.
E finalmente morro, pra poder nascer.
Como o dia.

DOIS. DORES E SORRISOS

Estar apaixonado para mim
É poder me expressar, escrever
Dores e sorrisos. Sem prediletos.

É não ter medo, céu ou poça
Não importa. Venha e torne minha voz rouca
Traga-me motivos para escrever.

Desarrume meus armários
Modifique-me através de comentários noturnos
De lençóis imundos e gatos, muitos.

No silêncio das madrugadas
Invada, tome. Torne-me seu
Traga-me a minha própria vida
Deixe-me, delicadamente, ofegante.

Não, não me respeite
Seja tudo aquilo que não posso ser
Vamos somar, plural de um.
Dois. Dores e sorrisos

AMIGO

Eu tenho tido vontade de ter uma música com você.

Não me lembro de nenhuma música que seja de dois grandes, sem serem amantes.
Acho que a música foi inventada para emoldurar grandes encontros.

Não sei, desconfio que não seja mais, só, um amigo.

VENCER OU PERDER

Estar com você é algo assim:
Preenche o momento
Desfaz minhas rugas
Atropela minhas fugas
Ma da gás, me da paz

Estar com você é assim:
Não ter vontade de ficar mais novo
E nem mais velho
Parar tudo, o tempo
Ficar ali, me manter ali

Estar com você é:
Não querer mexer as peças
Não atacar e nem ser atacado
Não perder, e muito menos vencer

Estar com você é: Querer o empate

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

URGÊNCIA

Perguntado se quero um grande amor, digo:
Querer não necessariamente é procurar.
Não se acha nada que já seja grande. Procurar é algo inútil.

Amigos e amores quando grandes,
são encontros sem urgência,
acontecem, somos eleitos.

Se tivermos a capacidade de enxergar,
e acima de tudo, a coragem de abraçar,
poderemos contribuir para que esse encontro
se torne parte grande de nossas vidas.

Como uma planta que nasce da semente,
é regada com devoção, solicitada com paixão
para finalmente florescer, tornando-se visível e bela.

Se quero um grande amor?
Quero poder manter meus olhos atentos,
meus braços estendidos e meu coração em paz.

No ritmo e no compasso do meu destino,
que sempre me trouxe e sempre me trará coisas boas,
na forma de um amigo ou mesmo de uma mulher.